Vítima de linchamento foi confundida  com sequestradora, diz primo

Parente de dona de casa assassinada no Guarujá diz que ela foi espancada porque se aproximou de criança na rua

Por O Dia

Guraujá (SP) - A oferta de uma fruta a uma criança pode ter sido a causa da confusão que levou ao linchamento de Fabiane Maria de Jesus, de 33 anos, no sábado, no Guarujá (SP). Ontem, Fabiano Santos das Neves, de 32 anos, primo de Fabiane, disse ter ouvido de testemunhas que ela começou a ser agredida ao tentar dar a fruta a um menino.

Valmir Dias Barbosa, 48 anos, é o único suspeito preso pelo linchamentoFernanda Luiz/Jornal A Tribuna de Santos

Segundo ele, a prima havia feito compras quando voltava da igreja para casa e, ao ver o menino sozinho na rua, ofereceu a fruta. Em seguida, a mãe da criança, que estava perto, passou a atacá-la e gritar que ela era a sequestrada denunciada pelo site Alerta Guarujá. De acordo com Fabiano, a prima, antes que pudesse se defender, passou a ser espancada.

Fabiane teria sido confundida com uma suposta sequestradora, que usaria crianças em rituais de magia negra. O retrato falado da suposta sequestradora havia sido divulgado no site de internet Alerta Guarujá.
Na noite de terça-feira, o delegado Cláudio Rossi, da Delegacia Sede de Guarujá, disse que já tem mais cinco suspeitos de participar do linchamento. Mas os nomes são mantidos em sigilo.

O delegado informou que já ouviu testemunhas do linchamento. Além disso, agentes estão percorrendo o bairro de Morrinhos, onde houve o crime, tentando convencer moradores a dar informações sobre o ataque.
Também ontem, policiais apreenderam na casa do único suspeito preso, o eletricista Valmir Dias Barbosa, de 48 anos, uma bermuda que seria a que ele usava ao ser filmado agredindo Fabiane com uma paulada na cabeça.

“A apreensão da bermuda, somada à confissão são provas inequívocas da sua participação”, disse delegado Luiz Ricardo Lara, da delegacia do Guarujá.O policial explicou que Barbosa, com medo de represálias se recusa a informar quem estava com ele. Nem com a promessa de ficar numa cela isolada e sobre proteção policial, ele aceitou ajudar nas investigações.

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