Por fernanda.magalhaes

São Paulo - O governador do Ceará, Cid Gomes, e seu irmão e ex-ministro Ciro Gomes desembarcam nesta terça-feira, em Brasília, para tentar garantir o domínio do PROS no Ceará e o compromisso de apoio nacional do partido à reeleição da presidente Dilma Rousseff. A intenção é abafar as ameaças feitas pela cúpula da legenda de levar o apoio para a campanha do socialista Eduardo Campos, cenário que, na avaliação de filiados do partido, tornaria insustentável a presença dos irmãos Gomes na sigla.

A reunião, que tem sido considerada pelos irmãos como uma “acareação”, conta com a atenção do Palácio do Planalto. Dilma espera que Cid e Ciro consigam o controle da legenda e superem o acirramento da disputa interna.

O ex-ministro Ciro GomesAgência Brasil

O aumento das tensões é provocado principalmente pelas movimentações do presidente da legenda, Eurípedes Junior, do vice-presidente nacional, o senador Ataídes Oliveira (TO), e do líder da sigla na Câmara, Givaldo Carimbão, a quem Cid chamou de chantagista.

A pressão feita por Carimbão para que Dilma aceitasse substituir o atual ministro da Integração Nacional, Francisco Teixeira, revelou o clima de guerra entre líderes do partido. Há uma semana, em reunião com o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, Carimbão indicou para o cargo o nome de Marco Fireman, ex-secretário de Infraestrutura do governador de Alagoas, Teotônio Vilela (PSDB).

Dilma, no entanto, entende que o cargo é da cota de Cid e Ciro, que mantiveram fiéis ao governo e deixaram o PSB no ano passado quando o partido decidiu entrega os cargos para lançar a candidatura de Eduardo Campos no cenário nacional. Diante disso, a posição do Planalto é não substituir Teixeira no cargo.

As divergências internas chegaram até os trâmites burocráticos do partido, como as senhas de acesso ao cadastro da legenda na Justiça Eleitoral. Eurípedes Júnior ordenou a troca da senha de acesso do PROS do Ceará à Justiça Eleitoral, na semana passada. Esta senha é que dá acesso às matrículas de cada filiado e aos registros de candidaturas. Em conversa com o presidente do partido no Ceará, Eurípedes teria alegado que, além de querer saber quais são as candidaturas a serem apresentadas, também quer poder de decisão sobre os nomes a serem lançados.

Já o senador Ataídes Oliveira despertou a irritação dos irmãos Gomes depois de ter ido ao Ceará, há cerca de três semanas, e declarado que achava que o PROS teria que apoiar no estado a candidatura do senador Eunício Oliveira (PMDB), adversário dos Gomes da disputa local. A visita do senador ao Ceará ocorreu sem que ele avisasse os irmãos e ao próprio partido no estado.

Enquanto o Planalto resiste na substituição pedida por Carimbão, Cid e Ciro contra-atacam no Ceará, focados em apoiar uma candidatura petista ao governo local. Por enquanto, o PT só definiu o nome do deputado federal José Guimarães ao Senado, mas um nome cotado para a disputa é do governo é o do deputado estadual Camilo Santana, que ocupou a Secretaria de Cidades do governo de Cid Gomes.

Com informações de Luciana Lima

Você pode gostar