Por paloma.savedra

Rio - A Comissão de Direitos Humanos do Senado que acompanha as investigações sobre a morte do coronel reformado Paulo Malhães apresentou um relatório na manhã desta terça-feira afirmando que embora a Polícia Civil diga que está avaliando todas as linhas de investigação sobre a morte do oficial, os policiais não estão apurando possíveis relações entre a morte e as recentes revelações feitas pelo militar sobre seu trabalho durante a ditadura. O documento é assinado pela presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado, a senadora Ana Rita.

"De todo o visto e ouvido, foi possível concluir que, embora a Polícia Civil do RJ afirme trabalhar com todas as linhas de investigação, sem descartar nenhuma hipótese, o seu foco real é o homicídio e o procedimento informado prende-se ao latrocínio, sem qualquer relação com a vida pregressa do coronel Paulo Malhães", informa o relatório.

Coronel Paulo Malhães%2C que em março confessou ter sumido com o corpo do Rubens Paiva na época da ditadura%2C foi morto em casaJosé Pedro Monteiro / Agência O Dia

Em 6 de maio, a presidente da CDH, senadora Ana Rita (PT-ES), e os senadores Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e João Capiberibe (PSB-AP) foram ao Rio para inteirar-se das investigações. Os três se encontraram com o caseiro Rogério Pires, acusado de ter participado da morte do coronel.

A senadora também faz algumas recomendações como a proteção à viúva do coronel, Cristina Malhães, e a designação de dois membros do Ministério Público Estadual para o acompanhamento do caso. Além disso, os senadores recomendam proteção ao caseiro Rogério Pires, acusado pela Polícia Civil de ter confessado participação no crime. Durante a visita dos senadores ele negou a confissão. "Pelo que entendemos, a prisão de Rogério se deve à dedução da Polícia quanto a sua participação no crime, por elementos que os delegados dizem possuir, mas que não foram apresentados durante a Diligência", diz o relatório.

Em entrevista ao DIA em março deste ano, o coronel Paulo Malhães admitiu que recebeu uma missão do gabinete do ministro do Exército em 1973 para desenterrar o corpo do deputado cassado Rubens Paiva em uma praia do Recreio dos Bandeirantes e ocultar cadáver definitivamente. Cinco dias depois ele foi chamado para um depoimento na Comissão Nacional da Verdade e detalhou métodos de ocultação de cadáveres de presos políticos na Casa da Morte de Petrópolis.

No início da tarde do dia 24 de abril, o sítio do coronel foi invadido por três criminosos que o renderam junto com sua mulher. Os dois e depois o caseiro foram amarrados e separados em diferentes quartos da casa.Os criminosos ficaram na casa até o fim da noite e saíram de lá com ao menos sete armas de grande calibre da coleção do militar. Quando conseguiram se soltar, Cristina e o caseiro encontraram o corpo de Malhães caído no chão do quarto do casal de bruços e com a cabeça sob um travesseiro.

A principal linha de investigação da Polícia é o latrocínio. Ontem, os investigadores do caso apresentaram sete armas recuperadas em uma casa no bairro de Santa Cruz, na zona oeste. Dois suspeitos também foram presos, mas não tiveram os nomes divulgados para não atrapalhar a investigação. O laudo cadavérico ainda não foi divulgado, mas a polícia diz que a morte do coronel ocorreu em decorrência de um infarto. No entanto, o IML ainda está esclarecendo a possibilidade de que ele tenha sofrido um infarto em decorrência de asfixiamento.

De acordo com o delegado Pedro Medina, titular da Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), o inquérito está em andamento e nenhuma linha de investigação é descartada. Ainda segundo o delegado, somente ao término de todas as diligências será possível determinar a motivação do crime.

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