Por tamara.coimbra

Brasília - O ex-presidente da Petrobras Sérgio Gabrielli abriu seu depoimento à CPI do Senado que investiga supostas irregularidades na estatal justificando a compra da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA). Segundo ele, o empreendimento “passou por momentos ruins e voltou a ser um bom negócio”.

Gabrielli disse que no momento da aquisição, em 2006, a compra foi um bom negócio. A partir de 2008, segundo ele, a aquisição passou a ser um mau negócio, diante da crise econômica mundial e da mudança do mercado de petróleo com a descoberta do gás de xisto em território americano.

Mas de acordo com o executivo, a situação mudou novamente em 2013 e, agora, trata-se de uma unidade lucrativa, graças principalmente à existência de óleo leve e barato no Texas para ser processado.

Ex-presidente da Petrobras Sérgio GabrielliHenrique Manreza/Brasil Economico

"Portanto, é uma refinaria potencialmente muito lucrativa. Além disso, pelos investimentos feitos pela Petrobras, foi premiada como a melhor refinaria dos Estados Unidos em segurança de trabalho e condições ambientais", afirmou.

Segundo ele, em 2006, na época da compra, a análise feita pelo Conselho de Administração da Petrobras concluiu que seria necessário ampliar o parque de refino da empresa no exterior. Gabrielli disse ainda que o conselho não toma decisões operacionais, mas estratégicas.

“Essa empresa não pode ser qualificada como uma empresa mal gerida, como uma empresa que está em crise. Isso é campanha de oposição. Isso é luta política”, disse ele.

Em abril, ao participar de audiência na Câmara, Gabrielli já havia informado que a compra de Pasadena era, naquele momento, um bom negócio para a estatal brasileira. Disse ainda que a empreitada atendia ao plano estratégico da empresa e que o preço pago foi o de mercado. Ainda na Câmara dos Deputados, Sérgio Gabrielli admitiu que todos os detalhes do negócio não eram conhecidos por todos os integrantes do conselho de administração da estatal, que à época era presidido pela então ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Sem a presença de parlamentares de oposição, Gabrielli, que esteve à frente da Petrobras entre 2005 e 2011, é o primeiro a depor na CPI da Petrobras, no Senado. A comissão investiga ainda a possibilidade de a companhia holandesa SMB Offshore ter subornado funcionários da Petrobras para fechar contratos com a estatal brasileira, além de indícios de segurança precária nas plataformas marítimas.

O próximo convocado a depor na CPI é o ex-diretor da área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró. Será nesta quinta-feira, às 10h15. No dia 27 de maio, será a vez da atual presidente da estatal, Graça Foster. O requerimento para que ela seja ouvida foi aprovado na última quarta-feira, junto com outros 74.

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