Por bferreira

Brasília - O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, determinou ontem a libertação imediata dos doze presos na Operação Lava Jato da Polícia Federal e solicitou que a Justiça Federal do Paraná envie ao STF todos os inquéritos e processos. O ministro justificou-se, ao afirmar que o caso deveria ter sido remetido ao Supremo, por envolver deputados, que têm foro privilegiado. Zavascki também determinou a suspensão de todas as investigações sobre a lavagem de R$ 10 bilhões. A decisão revoltou agentes da PF.

Ex-diretor da Petrobras%2C Paulo Roberto foi solto após 63 dias de prisãoGazeta do Povo

Ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa foi o primeiro a deixar a cadeia ontem, após ficar preso por 63 dias. Os outros onze detidos, entre eles o doleiro Alberto Yousseff, até o início da noite, permaneciam encarcerados.

De acordo com as investigações, Paulo Roberto é apontado como um dos chefes da quadrilha que movimentou mais de R$ 10 bilhões em operações de lavagem de dinheiro. Ele teria ajudado empresas de fachada mantidas pelo doleiro Alberto Youssef a fechar contratos com a estatal.

O ministro Zavascki deu a ordem ao decidir sobre pedido da defesa de Paulo Roberto. Os advogados questionaram ao Supremo se, em razão do envolvimento de deputados no caso, a Justiça Federal do Paraná tinha competência para determinar a prisão dele e tomar decisões no processo. Em resposta, o ministro afirmou que o juiz federal Sérgio Moro, responsável pelo caso no Paraná, deveria ter remetido o processo ao STF. No texto da decisão, Zavascki diz que as investigações apontaram ligações dos deputados André Vargas (sem partido-PR), Luiz Argôlo (Solidariedade-BA) e Cândido Vaccarezza (PT-SP).

Juiz alerta para risco de fuga

Mesmo com os passaportes retidos, os doleiros Alberto Yousseff e Neila Kodama, presos pela Operação Lava Jato e que serão soltos por determinação do STF, poderão fugir do Brasil. O alerta foi feito ontem pelo juiz Sérgio Fernando Moro, da 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba, em ofício enviado ao ministro Teori Zavascki.

“Eles mantêm contas no exterior com valores milionários, facilitando eventual fuga ao exterior com a possibilidade de manter posse de eventual produto do crimes”, escreveu Moro. Ele lembrou que a doleira Kodama foi presa em flagrante na véspera da operação, em tentativa de fuga do Brasil, quando carregava 200 mil euros escondidos na calcinha.

Policiais federais responsável pela Operação Lava Jato se mostraram decepcionados com a decisão do STF de mandar soltar os envolvidos.

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