Por bferreira

Brasília - Mal Joaquim Barbosa anunciou sua aposentadoria e, consequentemente, a saída do Supremo Tribunal Federal (STF), os candidatos de oposição ao Palácio do Planalto se apressaram em tentar atrair o ministro para suas campanhas. O mais enfático foi o candidato do PSB à Presidência, o ex-governador Eduardo Campos.

Joaquim Barbosa surpreendeu ao anunciar que vai se aposentar no Supremo Tribunal Federal 11 anos antes do tempo limiteDivulgação

Sem meias palavras, Campos afirmou que, caso Barbosa pense em se filiar em algum partido, eles terão amigos em comum que haverão de aproximá-lo do PSB. “Qual é o partido que não gostaria de ter um quadro como Joaquim Barbosa filiado?”, perguntou o ex-governador. “Tenho certeza de que todos os partidos no Brasil que prezam a Justiça, que prezam a democracia, gostariam de ter em suas fileiras um brasileiro que tem a biografia, a história de vida do ministro Joaquim Barbosa”, disse.

Cauteloso, Campos argumentou que o presidente do Supremo ainda está no exercício do cargo de ministro e, portanto, em uma “função que é incompatível com a filiação partidária”. “No dia em que ele deixar o Tribunal, a partir do dia seguinte é que começa a possibilidade de se conversar. Porque, fora disso, passa a ser um desrespeito à Suprema Corte e ao próprio ministro Joaquim Barbosa”, disse Campos. Mas ele ressaltou que até agora o ministro não anunciou o desejo de se filiar a nenhuma legenda.

Em visita a Aparecida, em São Paulo, o senador tucano e presidenciável Aécio Neves foi mais comedido ao lamentar a saída de Barbosa do Supremo. Para ele, o ministro fez “muito bem à Justiça” do Brasil. “É um homem que o Brasil aprendeu a respeitar. Íntegro, honrado e que fez muito bem para a Justiça brasileira”, disse Aécio Neves.

Joaquim Barbosa surpreende e anuncia sua saída do STF

Onze anos após ter assumido uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF), por indicação do então presidente Lula, o ministro Joaquim Barbosa surpreendeu ontem ao anunciar que vai se aposentar no mês que vem. Com sua saída, a Alta Corte passará a ser presidida pelo ministro Ricardo Lewandowski, hoje vice-presidente e desafeto de Barbosa, com quem protagonizou violentos embates no julgamento do Mensalão. Um dos cotados para ocupar a vaga é o atual ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, do PT.

Primeiro negro a chefiar o Supremo, Barbosa garantiu que não pretende se envolver com política. Na fala curta e objetiva em que formalizou ontem à tarde seu desligamento do Tribunal, Barbosa se disse “deveras honrado” por integrar a Corte máxima de Justiça do país e citou o Mensalão, que culminou com a condenação de 25 envolvidos, entre políticos, assessores legislativos e empresários, como seu “maior feito” no Supremo.

Mais tarde, em entrevista, ele reconheceu que o assunto Mensalão “está completamente superado”. “Sai da minha vida a ação penal 470 e espero que saia da vida de vocês. Chega desse assunto”, disse o ministro.

Ao explicar que decidiu deixar a Corte por “livre arbítrio”, Barbosa defendeu mandato de 12 anos para os ministros do Tribunal. Citou como seus “planos imediatos” ver a Copa do Mundo e descansar. Não descartou, no entanto, dar palestras.

Polêmico e considerado histriônico pelos inimigos, o jurista chegou a ter o nome cogitado para disputar a Presidência da República. Afinal, ganhou fama e renome internacional com o julgamento do Mensalão.

Mas, segundo ministros do Supremo, ele não pode mais se candidatar este ano. Para isso, teria que ter deixado o cargo com pelo menos seis meses de antecedência. “Ele teria que ter se desincompatibilizado até 4 de abril. Parece que o cavalo passou encilhado, e ele não colocou o pé no estribo. Não dá mais. Agora, ele está inelegível”, afirmou o ministro Marco Aurélio Mello.

Barbosa começou ontem pela manhã sua peregrinação por gabinetes para comunicar sua aposentadoria. Primeiro, visitou a presidenta Dilma. Depois, encontrou-se com os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). Coube a Renan anunciar a aposentadoria do ministro. Aos 59 anos, Barbosa deixaria a presidência do STF em novembro.

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