Por julia.sorella

São Paulo - A Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) não alterou a proposta de reajuste salarial feita aos metroviários, em greve desde a manhã desta quinta-feira. Em audiência no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), a empresa manteve a oferta feita na quarta-feira, de 8,7% de aumento. “Esse é o limite que o Metrô consegue chegar”, disse o presidente da companhia, Luiz Antonio Carvalho Pacheco.

Sem nova proposta, as chances de a assembleia dos metroviários, marcada para a noite de hoje, encerrar a paralisação são mínimas, segundo a categoria.

No início da reunião de conciliação, o Metrô chegou a retirar da mesa suas últimas propostas de aumento aos trabalhadores, acordadas na audiência de ontem. De acordo com a empresa, as ofertas eram válidas apenas em caso de não paralisação.

O Sindicato dos Metroviários chegou a baixar o percentual reivindicado para 12,2% de reajuste salarial, também válido para o vale- refeição, e elevação do vale-alimentação para R$320. “Com essa proposta poderíamos encerrar a greve ainda hoje”, disse o presidente do sindicato, Altino Prazeres. No entanto, a sugestão foi rejeitada pelos dirigentes do Metrô.

Com a negativa da empresa para o reajuste de 12,2%, o presidente do sindicato propôs, como alternativa à greve, a abertura das catracas para a população. Segundo Prazeres, o dia de trabalho dos funcionários seria descontado.

A proposta também não foi aceita pela companhia. “Eu não tenho prerrogativa de abrir mão da receita. O Metrô não tem possibilidade de aceitar a catraca livre, até porque recai sobre os gestores a responsabilidade sobre os resultados”, disse o presidente da empresa.

Na quarta-feira, na terceira reunião de conciliação, o Metrô elevou proposta de reajuste para 8,7%, entre outros benefícios. A assembleia dos trabalhadores, no entanto, rejeitou a oferta e deflagrou a greve.

Diante do impasse na negociação, o TRT agora julgará o dissídio da greve, ou seja, a Justiça definirá o percentual do reajuste a ser pago aos trabalhadores. Ainda não há data definida para a votação do dissídio dos metroviários de São Paulo.

Greve deu confusão

São Paulo - A greve dos metroviários causou confusão, no início da manhã desta quinta-feira, na Estação Itaquera, na Zona Leste, umas das mais movimentadas da capital paulista. Por volta das 7h, usuários ficaram revoltados com o fechamento de toda a estação. Além do metrô, as portas da estação da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), que deveriam funcionar normalmente, foram fechadas por medida de segurança.

Homens revoltados quebram o portão de entrada da estação Corinthians-Itaquera%2C em São PauloReuters

Além disso, invadiram a linha, fazendo os trens que passariam pela estação parar. A Polícia Militar foi chamada, mas ninguém foi preso. Não houve feridos. Temendo uma confusão maior, as catracas foram liberadas às 7h40 e os trens da CPTM começaram a parar na estação.

Usuários reclamaram de não terem sido informados sobre o fechamento do embarque da CPTM, que ocorreu no início da manhã. A assessoria de imprensa da companhia informou que a medida foi para garantir a segurança dos passageiros, já que alguns teriam invadido a área do metrô. Ainda, segundo funcionários, as instalações pertencem ao metrô, embora a CPTM utilize a mesma estação.

Cristiano Chaves de Lemos, administrador de 35 anos, é usuário do metrô e precisa ir até o centro da cidade, onde trabalha. "Eu me sinto lesado todos os dias. A gente acompanha o noticiário e nada foi falado sobre o fato de os trens [da CPTM] não pararem aqui. A gente achou que teria uma alternativa. Eu só quero trabalhar", disse ele.

Oficiais da polícia evacuam os passageiros dos trilhos do metrô na estação Corinthians-Itaquera%2C em São PauloReuters

Os moradores da zona leste que tentaram utilizar os ônibus disponibilizados pela São Paulo Transporte SPTrans também encontraram dificuldades para enfrentar a lentidão no trânsito. Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego, a cidade registrou 245 quilômetros de congestionamento no início da manhã.

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