Eleições: Políticos de olho em tempo no horário de propaganda eleitoral na TV

Coligações vão definir espaço que candidatos e partidos terão na propaganda gratuita

Por O Dia

Rio - As eleições de outubro têm agora, no mês de junho, o prazo final para promover as convenções partidárias, nas quais as legendas oficializam não apenas os seus candidatos como as não menos importantes coligações com outros partidos.

E não menos importantes porque, atualmente, as alianças políticas são tidas como fundamentais para uma vitória nas urnas. E não por conteúdos programáticos ou ideológicos, mas por uma questão tida como fundamental para o sucesso: o tempo de TV, ou seja, quantos minutos cada coligação terá no horário de propaganda eleitoral gratuita.

Todos de olho no tempo de TVArte O Dia

Para isso, os apoios são disputados a peso de ouro. Vale lembrar que, às vésperas das eleições de 2012, a revista ‘Veja’ revelou um vídeo em que o presidente do nanico PTN informava a correligionários o que, segundo ele, seria o preço cobrado pelo apoio à chapa do prefeito Eduardo Paes (PMDB): R$ 1 milhão.

O cientista político Ricardo Ismael, da PUC, justifica a importância do horário eleitoral por ser a principal fonte de informação dos eleitores. “A população, sobretudo a de baixa renda, ainda se informa em relação aos candidatos pelo horário eleitoral que tem, sim, muita relevância na eleição”, afirma.

O sistema eleitoral será posto à prova nas urnas, uma vez que a população demonstra, desde o ano passado, insatisfação com o modelo político. Mas Ricardo Ismael não acredita em mudança radical. “Pelo visto, nem eu, nem os partidos, já que essas práticas não estão sendo vistas com bons olhos pela população”, diz.

Segundo ele, o sistema empobrece o debate com cada vez mais partidos sem que ninguém saiba mais o que cada um representa no espectro político. “Ou até se eles querem mesmo representar alguma coisa”, especula.

De acordo com Ismael, a necessidade de um debate mais claro em torno das ideias não é preciosismo, mas uma qualidade que não pode ser desperdiçada. “A obsessão pelo tempo de TV, de misturar banana com melancia, não tem coerência política. Em São Paulo, por exemplo, o eleitor vai ver Alexandre Padilha (candidato do PT ao governo) e Maluf juntos. Não dá”, lamentou.

Alianças com 14 partidos dão vantagem a Pezão

Nas eleições deste ano no Rio de Janeiro, de acordo com o economista Maurício Romão, especialista em cálculos eleitorais, o PMDB do governador Luiz Fernando Pezão, que estima contar com outros 14 partidos a seu lado, terá direito a quase sete minutos diário de propaganda no rádio e na televisão. O montante é o dobro do que será destinado ao PT de Lindbergh Farias, que, por enquanto, conta com o apoio apenas do PV e do PC do B.

Os pré-candidatos Miro Teixeira (Pros-PSB), Anthony Garotinho (PTdoB) e Cesar Maia (DEM) não devem chegar a dois minutos. Mas o candidato do Democratas ainda pode dar um salto, caso o PSDB, que ainda não se definiu, decida se aliar a eles. Os tucanos têm direito a valiosos 70 segundos na TV.

Marcelo Crivella (PRB) e Tarcísio Motta (Psol) têm menos de um minuto. PSTU, PCO e PCB, que devem ter candidato próprio, contarão com os 40 segundos a que todos têm direito. O restante do tempo é calculado de acordo com o número de representantes que cada partido elegeu para a Câmara dos Deputados.

Maurício Romão lembra, no entanto, que esses cálculos são apenas uma estimativa. E que os números definitivos só serão confirmados após a realização de todas as convenções partidárias.

Namoro com PDT passa longe dos ideais de Brizola

O apoio do PDT foi disputado quase que a tapa tanto pelo PT quanto pelo PMDB, com quem os trabalhistas acabaram fechando. O DIA acompanhou de perto as negociações e constatou que o que interessava aos líderes dos partidos era somente o tempo de TV. Os ideais de Leonel Brizola sequer entraram na discussão.

Em conversas informais com representantes das legendas, foi perguntado se a negociação com o PDT se dava com o presidente Carlos Lupi ou com o vereador Leonel Brizola Neto, que se opunha a qualquer tipo de aliança, ou ainda com o deputado Felipe Peixoto, que teve votação expressiva nas eleições municipais de Niterói. A resposta foi sempre a mesma: “Com o Lupi, claro. É ele quem tem o tempo de TV”.


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