Valor de carros de luxo depredados em ato do MPL pode chegar a R$ 2 milhões

Modelos destruídos têm valores que variam entre R$ 67.700 e R$ 599.900; dona da concessionária desabafou no Facebook

Por O Dia

São Paulo - A perícia chegou nesta sexta-feira, por volta das 8h45, na concessionária Mercedes Benz, na Marginal Pinheiros, em São Paulo, para avaliar os danos causados nos dez veículos que foram depredados nesta quinta durante protesto do Movimento Passe Livre (MPL). O ato foi convocado para marcar um ano dos protestos que impediram a elevação nos preços do transporte público. A intenção do movimento era fazer uma passeata da Praça do Ciclista, na Avenida Paulista, até a Marginal Pinheiros, onde haveria uma festa para celebrar a conquista do ano passado. Eles reivindicam tarifa zero.

Durante o trajeto, a presença da Polícia Militar (PM) foi pequena. As equipes da Cavalaria e da Força Tática, no entanto, estavam dispostas em ruas próximas ao local do protesto. Houve depredação de pelo menos três agências bancárias e três concessionárias de veículos de luxo. Até as 18h30, não havia sido registrada ação policial. Logo após as 19h, a PM agiu com bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo, dispersando os manifestantes. Parte dos ativistas conseguiu impedir a depredação de outros bancos no caminho da passeata.

Black blocs invadem e quebram loja de carros de luxo em São PauloReuters

Na concessionária da rede Caltabiano, que vende carros da marca Mercedes Benz, a fachada foi toda destruída pela ação de parte dos manifestantes, que utilizou pedaços de madeira e pedras para quebrar os veículos. O material, com restos de uma obra feita no local, que estava em uma caçamba na calçada, foi usado para destruir os carros. O prejuízo é estimado em R$ 2 milhões. Outras duas lojas da mesma rede foram danificadas, mas apenas os vidros da fachada foram quebrados. De acordo com a empresa, o seguro já foi acionado.

O coronel do Comando de Policiamento da Capital, Leonardo Torres Ribeiro, disse ter recebido, antes do protesto, uma carta do MPL pedindo que a PM mantivesse distância dos manifestantes durante a caminhada. Ribeiro informou que o pedido citava o ato do Comitê Popular da Copa no dia 15 de maio, que transcorria sem conflitos, quando provocações geradas pela proximidade da PM e manifestantes deflagrou uma brutal repressão ao protesto. A Polícia Militar decidiu respeitar a solicitação do MPL e levou um efetivo preparado para acompanhar o protesto a distância.

Manifestantes do Movimento Passe Livre saíram pelas ruas de São Paulo exigindo transporte público gratuitoEfe

Segundo o coronel, porém, depois da queima simbólica das catracas de papelão, alguns participantes dispersaram e partiram para a depredação. “Não fomos ingênuos, porque a experiência que temos com manifestantes tem demonstrado resultados obtidos e a contenção desses eventos. A demora foi no deslocamento do nosso efetivo que estava nas proximidades de lá, se é que se pode considerar isso demora”, disse Torres. “Sempre houve depredações em todas as manifestações, com a presença próxima ou não. Se fizer uma retrospectiva, mesmo com a presença física próxima [da polícia], a intenção desses manifestantes foi sempre depredar”, acrescentou.

Desabafo

Após o ato, Mariana Caltabiano, uma das donas da concessionária destruída usou a página pessoal do Facebook para desabafar.

"Destruíram uma das nossas lojas na manifestação de hoje. A gente dá emprego pra um monte de gente, não xinga a presidente, faz tudo certinho e é isso que recebe em troca. O pior é que a minha mãe tinha acabado de cuidar da reforma dessa loja pessoalmente e estava bem feliz. Ainda assim vamos seguir em frente. Chega uma hora na vida que mais nada te derruba".

Por volta das 10h40 dsta sexta-feira, a mensagem tinha sido curtida por 872 pessoas, comentada por 274 e compartilhada 77 vezes. A maior parte dos comentários era de solidariedade a dona da loja.

Com informações da Agência Brasil e do iG

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