Rose Marie Muraro vira prêmio na luta feminina

Homenagem foi anunciada ontem pela ministra de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci

Por O Dia

Rio - Como presente à memória da escritora e feminista Rose Marie Muraro, um prêmio será criado com o seu nome para agraciar aquelas que dedicaram suas vidas a lutar pelos direitos das mulheres. A iniciativa foi anunciada neste domingo por Eleonora Menicucci, ministra de Políticas para as Mulheres, durante o velório do Rose Marie, no Memorial do Carmo, no Cemitério do Caju. A escritora faleceu no sábado, aos 83 anos, vítima de câncer.

Segundo a ministra, o Prêmio Rose Marie Muraro será lançado na próxima semana para contemplar feministas históricas, com mais de 75 anos, através de parceria entre sua secretaria e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

“Rose Marie ousou desafiar os costumes da sociedade em que viveu e contestar o pensamento sexista com sagacidade e inteligência, e mulheres como esta contribuíram para fazer do Brasil a democracia que vivemos hoje”, disse Eleonora. “Estou triste porque perdi uma amiga, as mulheres perderam uma companheira, e o Brasil perdeu esta grande mulher”, afirmou.

Sofrendo há mais de dez anos de um câncer na medula óssea%2C Rose não deixou de trabalhar pelas mulheresUanderson Fernandes / Agência O Dia

A ministra também lembrou do imenso legado deixado pela escritora em livros como ‘Sexualidade da Mulher Brasileira - Corpo e Classe Social’, que focalizou de forma pioneira as relações entre sexo e classe social: “Foi um marco, porque cruzou a discriminação de sexo e de gênero com a classe social, mostrando que as mulheres pobres e trabalhadoras do país sofrem muito mais o preconceito sobre o corpo e a sexualidade”.

O fato de Rose Marie ter sofrido de uma grave deficiência visual desde o nascimento foi citado como mais uma prova da determinação da feminista. “Mesmo quase cega, ela nunca deixou de estudar, de escrever e de ler. Isso é muito importante, como exemplo para as pessoas com deficiência”, disse a ministra.
Rose Marie Muraro participou do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher desde a sua criação, em 1985, e só se afastou em 2012 devido ao tratamento do câncer.


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