Por bferreira

Rio - A Comissão da Verdade do Rio de Janeiro divulgou ontem dois atestados de óbito de opositores da ditadura militar nos quais o local de morte deles aparece como Rua Barão de Mesquita 425. É onde fica o 1º Batalhão da Polícia do Exército e funcionava à época o Doi-Codi do Rio.

A divulgação refuta documento divulgado na semana passada pelas Forças Armadas negando “desvio de função de sete unidades militares” entre 1964 e 1985. Os atestados foram apresentados com o relatório parcial de pesquisa após um ano do início dos trabalhos da Comissão.

Segundo documentos localizados no Arquivo do Estado do Rio, Gerson Theodoro de Oliveira, de 23 anos, e Maurício Guilherme da Silveira, de 21 anos, estudantes e militantes da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) estiveram na Barão de Mesquita e saíram de lá mortos. Às famílias foi dito que eles morreram numa troca de tiros durante assalto na Avenida Suburbana.

De acordo com a Comissão, os laudos cadavéricos dos dois derrubam a tese ao deixar evidente que os corpos tinham lesões em decorrência do que pode ter sido uma execução sumária. “Nós temos a afirmação de um ministro de Estado prestando uma informação que não se sustenta nos fatos”, afirmou o presidente da comissão, Wadih Damous.

Segundo ele, as dependências das Forças Armadas brasileiras foram usadas para tortura de presos. “É fato sabido e concebido. Não só pelos relatos de quem passou, mas por agentes da ditadura. A própria presidente da República foi testemunha”.

Damous afirmou ainda que os atestados de óbito apresentados ontem são um “dado ilustrativo” que confirma que houve tortura e execução de presos políticos no quartel do Exército da Rua Barão de Mesquita. “Ali nunca funcionou nenhum hospital”, disse Damous.

De olho no Congresso

Wadih Damous anunciou ontem que vai deixar a Comissão da Verdade para concorrer a uma vaga de deputado federal pelo PT. Para o seu lugar na presidência, os outros membros indicaram a a advogada Nadine Borges. “Estamos na metade do caminho e daremos continuidade ao trabalho. A prioridade é o esclarecimento dos casos de mortos e desaparecidos do Rio”, explicou ela.

Você pode gostar