Começa debate para escolha de novo candidato do PSB

A vice na chapa de Eduardo Campos é a preferida para liderar a nova candidatura do partido à Presidência

Por thiago.antunes

Brasília -  O relógio foi disparado para a formação do que será a nova terceira via, alternativa à polarização entre PT, de Dilma Rousseff, e PSDB, de Aécio Neves. Embora se recusem a falar publicamente sobre o assunto, integrantes do PSB afirmaram ao DIA que é difícil que Marina Silva não seja a cabeça da nova chapa. “Ela não será se não quiser”, garantiu um interlocutor envolvido na campanha presidencial no Rio.

A interpretação majoritária é que a decisão do partido não pode ocupar todo o prazo legal de dez dias para registrar o substituto de Eduardo Campos, já que o horário eleitoral começa já na terça-feira. Outro problema apontado, além da falta de tempo, é a impossibilidade legal de desvincular-se dos cargos públicos, restringindo os já poucos nomes nacionais disponíveis.

Roberto Amaral, presidente de honra e provável novo presidente do PSB, é a figura capaz de unificar a legenda, explicou um integrante do partido. Entretanto, segundo outro interlocutor, não tem voto. Na visão de ao menos dois partidários, ele serviria como uma espécie de freio para Marina Silva, que não tem ligação histórica com o PSB e que, assim que montar sua Rede, ‘pulará fora do partido’. Ela também não terá liberdade total, pois precisa da estrutura financeira da legenda para fazer a nova campanha presidencial.

A vice na chapa de Eduardo Campos é a preferida dos membros do PSB para liderar a nova candidatura do partido à PresidênciaReprodução

Na visão de um integrante da Rede, o PSB precisa de Marina Silva para crescer no Congresso. Segundo ele, o número da legenda precisa ter exposição nestas eleições e, ‘sendo frio neste momento’, a morte de Campos servirá para fortalecer o discurso de que ele tinha uma visão de renovação política. “O brasileiro adora santificar os mortos e, com Eduardo, não será diferente. Sua lembrança será reforçada o tempo inteiro na campanha”, analisou.

Se chancelada pelo PSB, a ex-senadora, numa análise das pesquisas realizadas quando seu nome ainda era cogitado para a Presidência, mostrou-se forte competidora, desde a última eleição em 2010 quando alcançou 20 milhões de votos ainda no PV. Pouco depois que Marina anunciou sua filiação ao PSB no ano passado, as pesquisas, tanto do Datafolha como do Ibope, sempre mostravam-na com força entre os eleitores.

Em um cenário em que era a candidata do partido no lugar de Campos, a pesquisa Datafolha de outubro de 2013 a apresentava com 29% das intenções de voto contra apenas 17% de Aécio Neves, do PSDB. Dilma liderava com 39%. Em dezembro, o cenário apontava uma leve queda. Marina tinha 26%, Aécio, 15%, e Dilma, 42%. 

GALERIA: Morre Eduardo Campos

O Ibope também mostrava resultados favoráveis para a ex-senadora em novembro do ano passado. Marina aparecia com 16% das intenções de voto enquanto Aécio apresentava 13%. Dilma mantinha os mesmos 42%. Marina Silva, porém, não terá vida fácil. Se confirmado o nome de Amaral para seu vice, ela terá um adversário ideológico ao seu lado. Ambos discordam da visão sobre o próprio país. E quando foram ministros do governo Lula, chegaram a ter vários embates sobre política energética.

Marina, no Meio Ambiente, e Amaral, no Ministério de Ciência e Tecnologia, discordavam principalmente sobre investimentos em energia nuclear. Outra discordância foi sobre o apoio, no Rio, ao PT, de Lindberg Farias. Para ela, não era coerente o PSB pregar renovação aliando-se ao PT fluminense e ao PSDB em São Paulo e brigou duro dentro da coligação para fazer valer seu ponto de vista.

Tempo curto para a troca

A morte prematura do candidato do PSB à Presidência da República, Eduardo Campos, deixou um longo rastro de dúvidas na aliança construída com Marina Silva para a chapa. Na análise de cientistas políticos, porém, o mais provável é que a ambientalista assuma a tarefa de liderar o partido nas eleições de outubro.
Para o diretor do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), Geraldo Tadeu, além de Marina Silva não há outro candidato viável no grupo político.

“Não tem outro nome dentro do PSB ou da Rede com condições de assumir esse desafio agora. É claro que isso vai exigir que as lideranças dos partidos coligados aceitem essa mudança, mas não há nem tempo para se pensar muito”, apontou Tadeu. Já o pesquisador da PUC-Rio Ricardo Ismael acredita que o PT pode tentar minar a candidatura de Marina Silva. “A máquina do governo federal vai fazer de tudo para inviabilizar essa candidatura. A pergunta que vale ouro é: Marina terá condições políticas de seguir no jogo?”, observou Ismael. Para ele, a possibilidade de um segundo turno depende disso.

Uma assinatura que vale muito

Contribua para mantermos um jornalismo profissional, combatendo às fake news e trazendo informações importantes para você formar a sua opinião. Somente com a sua ajuda poderemos continuar produzindo a maior e melhor cobertura sobre tudo o que acontece no nosso Rio de Janeiro.

Assine O Dia