Por thiago.antunes

Rio - Tragédias que resultaram em mortes de políticos ainda estão na memória de muitos brasileiros. E, depois do acidente com Eduardo Campos, pelo menos quatro personagens da História recente do país voltam à lembrança, inevitavelmente. Dois deles também morreram no mês de agosto: Getúlio Vargas (1954) e Juscelino Kubitschek (1976).

Um destes episódios — que alterou os rumos do Brasil — completa 60 anos no próximo dia 24. Naquela madrugada, o país parou com a morte do presidente que saiu “da vida para entrar na História”. Vargas encerrou quase duas décadas como presidente (1930-1945 e 1951-1954) com um tiro no peito, no Palácio da Catete. “O primeiro episódio significativo para a História, envolvendo morte inesperada de presidente, foi com Vargas. E desencadeou na eleição de Juscelino Kubitschek”, afirma o professor de Ciência Política da Unicamp Valeriano Costa.

Ulysses Guimarães morreu em acidente de helicóptero%2C em Angra dos Reis%2C em 1992. O ‘Senhor Diretas’%2C cujo corpo não foi encontrado%2C presidiu a Assembleia Nacional Arquivo ABr

Os últimos dias no poder foram marcados por pressão política e insatisfação popular. Um dos casos que agravou a crise foi o atentado fracassado contra o jornalista Carlos Lacerda, forte opositor do governo. O responsável pelo crime foi Gregório Fortunato, guarda-costas do então presidente.

Sobre a morte de JK, em um acidente de carro em 22 de agosto de 1976, o professor ressalta que ainda não foi confirmado se tratou-se de fatalidade ou atentado motivado por questões políticas. “Juscelino seria um candidato à presidência em caso de abertura do regime militar. Ele seria uma liderança na democratização, mas morreu antes”.

Outra morte que mudou a política do Brasil, segundo Valeriano, foi a de Tancredo Neves. Primeiro presidente após a ditadura militar, eleito em janeiro de 1985, ele não chegou a assumir, já que faleceu em abril, no Instituto do Coração, em São Paulo, após 38 dias internado. A causa oficial da morte foi diverticulite. Quem assumiu a presidência foi José Sarney. “Tancredo seria o elo que unia o PMDB com o PFL do Sarney, mas com a morte essa coalizão foi prejudicada”.

Vargas se matou com um tiro no peito%2C no Palácio do Catete%2C também no mês de agosto%2C há 60 anos Arquivo A Notícia

Já Ulysses Guimarães estava em helicóptero que caiu em Angra dos Reis, em 12 de outubro de 1992. Presidente da Assembleia Nacional Constituinte que promulgou a Constituição de 1988, na época do acidente ele já não tinha o mesmo protagonismo político. “Era muito respeitado, mas não teria papel central na política, a não ser nos bastidores”.

Infarto matou uma das lideranças do PFL

Uma das perdas significativas de lideranças políticas foi a morte de Luís Eduardo Magalhães, então líder do extinto PFL na Câmara dos Deputados. Aos 43 anos, foi vítima de infarto, depois de uma caminhada, em 21 de abril de 1998. 

JK morreu em agosto de 1976%2C no Km 165 da Via DutraArquivo O Dia

Filho do então presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães, que morreu em 2007, Luís Eduardo era pré-candidato favorito ao governo da Bahia e ainda era apontado dentro do PFL como o principal concorrente do partido à Presidência da República na eleição de 2002. Ele tinha sido presidente da Câmara entre 1995 e 1997. “A morte do Eduardo Magalhães teve um grande impacto dentro PFL. Ele era uma liderança muito importante”, aponta Valeriano.

Desastres aéreos

Nereu Ramos: presidente interino do país por três meses (1955-1956), morreu na queda de avião no Paraná, dia 16 de junho de 1958.

Roberto Silveira: o então governador do Rio de Janeiro morreu em 28 de fevereiro de 1961, oito dias após ter sofrido acidente de helicóptero em Petrópolis. Era pai do ex-prefeito de Niterói, Jorge Roberto Silveira.

Humberto de Alencar Castelo Branco: marechal e 1º presidente da ditadura militar no país (1964-1967), ele morreu dia 18 de julho de 1967, em Fortaleza, quando avião em que estava foi atingido por outro, da Força Aérea Brasileira (FAB).

Filinto Müller: então senador foi uma das 123 vítimas da queda de avião da Varig perto de Paris, em 11 de julho de 1973. Chefe de polícia política no governo Vargas, esteve envolvido na prisão do casal de comunistas Luis Carlos Prestes e Olga Benario, nos anos 1930.

Você pode gostar