Por bferreira
Publicado 16/08/2014 02:16 | Atualizado 16/08/2014 02:19

Recife - Cidade natal de Eduardo Campos, Recife, a capital pernambucana, se prepara em silêncio para o funeral, neste fim de semana, do seu ex-governador, morto no dia 13 de agosto no desastre aéreo em Santos, juntamente com outras seis pessoas: o assessor de imprensa Carlos Percol, o assessor político Pedrinho Valadares, o cinegrafista Marcelo Lyra e o fotógrafo Alexandre Severo, além dos dois pilotos.

O velório e o enterro, porém, devem ser acompanhados por milhares de pessoas no Recife. Do interior, são aguardadas dezenas de caravanas. A força do ex-governador foi medida no início do mês, quando mais de 10 mil pessoas acompanharam sua carreata em Caruaru, no Agreste pernambucano.

Eleitores de Eduardo Campos guardam lugares no Palácio Campo das Princesas à espera do velórioErnesto Carriço / Agência O Dia

“Recife não tem um grande ato político há muito tempo. E os pernambucanos gostam disso. Gostavam do Eduardo, mas mais ainda do seu avô, Miguel Arraes, o homem que levou luz e água para o Sertão. Tem gente que virá pelo Eduardo, outros pelo Arraes e outros porque gostam de participar de um grande evento”, contou o fotógrafo Genival Fernandes, amigo da família.

Além de muitos populares, o funeral já tem a presença confirmada dos principais nomes da política brasileira, como a presidenta Dilma Rousseff, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, amigo de Eduardo Campos, e o candidato a presidente pelo PSDB, Aécio Neves. Pelo menos dez governadores já confirmaram presença.O presidente da Fiat (que tem fábrica em Pernambuco), Cledorvino Belini, e o embaixador da Itália no Brasil, Raffaelle Trombetta, também confirmaram presença.

De acordo com o cerimonial do governo de Pernambuco, os restos mortais de Eduardo Campos serão transportados em carro do Corpo de Bombeiros da Base Aérea do Recife ao Palácio Campo das Princesas, sede do governo estadual. Junto ao ex-governador, também serão transportados os restos mortais de Carlos Percol, Alexandre Severo e Marcelo Lyra.

As famílias ainda não decidiram se o velório ocorrerá na calçada do Palácio, como estava previsto, ou dentro do prédio. Uma foto de cada um será colocada sobre os caixões, que devem estar cobertos com as bandeiras do Brasil. A viúva de Campos, Renata Campos, já escolheu a foto que ficará sobre o caixão do marido: Campos aparecerá com uma bandeira do Brasil de fundo. O arcebispo de Recife e Olinda, Dom Fernando Saburido, vai celebrar uma missa campal no local, que deve contar com a participação de 30 mil pessoas.

“Este é o número de pessoas que cabe naquele local, mas certamente será maior, contando quem entra e sai”, explicou o Coronel Eduardo Pereira, da Casa Militar, que disponibilizará 250 policiais para o evento, que só terá data e horário confirmados após a liberação dos restos mortais do Instituto Médico Legal de São Paulo.

População sai às ruas vestida de preto

Os pernambucanos não esperaram a chegada dos restos mortais do ex-governador para homenagear Eduardo Campos. Os conterrâneos do neto de Miguel Arraes se anteciparam e, no Centro de Recife, muitas pessoas vestiam preto em sinal de luto. Os comitês de campanha, tanto de aliados quanto de adversários, continuaram fechados.

Na porta do Palácio do Campo das Princesas, sede do governo do Estado, recifenses, a todo momento, chegavam com flores para homenagear o ex-governador. Foi o caso de Dona Maria de Lourdes, que estava muito emocionada e mal conseguia andar.

“Eduardo era um homem muito querido pelo povo, assim como seu avô Miguel Arraes. Era um homem digno, que pensava nos mais pobres, nas pessoas que precisavam. Era gente da gente”, disse Maria de Lourdes.

No cemitério de Santo Amaro, o túmulo da família Arraes passou por uma reforma. De acordo com o chefe da Divisão de Necrópoles do Recife, Petros Tejo, o local ficará aberto à visitação, mas apenas autoridades e parentes poderão se aproximar da sepultura.

“Até por questão de conforto da família neste momento, vamos isolar uma pequena área em volta do túmulo, mas o cemitério estará aberto ao povo. É uma decisão da família”, disse Petros Tejo.

As vítimas

Carlos Augusto Ramos Leal Filho, 36 anos

Conhecido como Percol, era o assessor de imprensa do candidato. Durante o governo de Eduardo Campos em Pernambuco, foi gerente de Relações com a Imprensa. Em 2012, coordenou a comunicação da campanha de Geraldo Julio, que se elegeu prefeito do Recife, e foi nomeado secretário de imprensa da gestão. Ele estava casado havia quatro meses com a jornalista Cecília Ramos.

Marcos Martins, 42 anos

Piloto há 15 anos com experiência internacional, era paranaense radicado em São Paulo. Era casado com Flavia Vargas Martins, com quem tinha dois filhos. Nascido em Cruzeiro do Oeste, no Paraná, ele deverá ser velado em Maringá. Tinha mais de mil horas de voo e nunca se envolveu em acidentes.

Pedro Almeida Valadares Neto, 48 anos

Era um dos homens de confiança do ex-governador. Pedrinho, como era conhecido, foi deputado federal por três mandatos. (1991/1995 pelo PFL; 1997/1999 pelo PP; e entre 1999 e 2003 pelo PSB. Era primo do deputado Valadares Filho e sobrinho do senador Antônio Carlos Valadares. Casado com a promotora Simone Valadares, tinha três filhos.

Geraldo Magela Barbosa da Cunha, 45 anos

Magelinha era piloto com mais de 20 anos de experiência. Desde junho trabalhava na campanha de Eduardo Campos. A mulher de Magelinha, Joseline Amaral da Cunha, está grávida de sete meses e estava nos Estados Unidos fazendo compras para o bebê. O casal ainda tem um filho de quatro anos.

Marcelo de Oliveira Lyra, 37 anos

Fotógrafo e cinegrafista profissional desde 2000, ficou famoso com imagens realizadas no sertão pernambucano. Era fundador da agência Olhonu e havia acabado de trocar Recife por São Paulo para trabalhar na campanha de Campos. Iniciou a vida profissional na Gerdau. Era conhecido por sua eficiência. Deixou mulher e duas filhas.

Alexandre Severo Gomes e Silva, 36 anos

Fotógrafo premiado em Pernambuco, Alexandre acumulou alguns prêmios em suas passagens pelo ‘Jornal do Commercio’, pela ‘Folha de Pernambuco’ e pelo ‘Diário de Pernambuco’. Quando ainda não se falava no nome de Eduardo Campos como candidato à Presidência, ele já alimentava o sonho de ser o fotógrafo da campanha. Estava solteiro e não tinha filhos.

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