São Paulo - A tragédia que tirou a vida de Eduardo Campos na quarta-feira deixou milhões de possíveis votos em disputa. Com os rumos da eleição ainda mais indefinidos, o PSDB publicou texto na tentativa de disputar o espólio político deixado pelo falecido candidato do PSB. Publicado apenas um dia após a morte de Campos, a análise pede votos ao dizer que Aécio Neves é o nome capaz de “continuar a escola” do ex-governador de Pernambuco.
A publicação, intitulada ‘A boa política de luto’, foi elaborada pelo Instituto Teotônio Vilela (ITV), órgão de estudos e formação política do PSDB. Nela, está presente o argumento de que Campos “espelhou-se” em Aécio durante sua gestão como governador de Pernambuco.
“Campos era um dos representantes da boa política. Em sua administração no estado, espelhou-se em outras experiências exitosas como a de Aécio Neves no governo de Minas Gerais”, diz um trecho do documento. Em fevereiro deste ano, durante a pré-campanha eleitoral, Aécio Neves almoçou na casa de Eduardo Campos, em Recife.
Na ocasião, eles sublinharam a aproximação ao direcionar críticas ao PT . A lua de mel entre os presidenciáveis durou pouco e acabou em maio, quando os dois se desentenderam durante um debate com empresários. A partir dali, Campos preferiu divulgar a imagem de que era a alternativa a PT e PSDB, tônica de sua campanha até sua trágica e surpreendente morte, na última terça-feira.
No documento, porém, a ênfase é dada nos dias em que ambos estiveram em um caminho que parecia ser o mesmo. Em determinada altura do texto, eles são apresentados como “personificação do vigor da juventude que não deixará de estar presente nas eleições de outubro, quando o Brasil escolherá novos caminhos”.
O texto também faz críticas indiretas à presidenta Dilma Rousseff, colocando Aécio e Campos como candidaturas de oposição à ela, cuja plataforma “prefere dividir para conquistar, atacar para triunfar, difamar para confundir”. Aécio Neves não foi encontrado para opinar sobre o tom da análise Segundo sua assessoria de imprensa, “por conta do acidente com o candidato Eduardo Campos, o candidato cancelou sua agenda até a semana que vem, e por isso não está atendendo às demandas da imprensa”.
Uma disputa pelo legado
A morte de Eduardo Campos fará Dilma e Aécio reverem suas campanhas. Conforme O DIA noticiou ontem, PT e PSDB vão intensificar as atividades no Rio, onde Marina Silva, provável substituta de Campos, tem muitos eleitores. Nas últimas eleições, ela teve 31% dos votos no estado, perdendo para Dilma, mas ficando na frente de José Serra, do PSDB. No horário eleitoral de TV, que começa na próxima terça, Campos deverá ser homenageado em parte dos programas dos presidenciáveis.
Se o PSDB tenta ficar com os votos dele, o PT também caminha para uma revisão de postura em relação ao ex-governador de Pernambuco. Em janeiro, o site oficial do partido publicou duro artigo, em que chamava Campos de “playboy mimado” e “tolo”.