Por clarissa.sardenberg

Rio - Preso nesta terça-feira, no Paraguai, após passar três anos foragido da Justiça, o ex-médico Roger Abdelmassih pode cumprir prisão domiciliar. Segundo autoridades, ele pode alegar idade avançada ou problemas de saúde, se aproveitando de um benefício que a Lei de Execuções Penais garante para quem tem mais de 70 anos.

Abdelmassih completa 71 anos no próximo dia 3 de outubro, embora tenha afirmado ter 72 anos para a polícia. O ex-médico foi condenado a 278 anos de prisão por 48 estupros a 37 mulheres, em 2010. Ele foi acusado em 56 casos e absolvido em oito deles.

Roger AbdelmassihEFE

Segundo especialistas, mesmo que lhe seja concedido tal benefício, Abdelmassih só poderia sair de casa quando completasse 101 anos. Porém, segundo alguns juristas devido a repercussão do caso, as chances da prisão domiciliar ser concedida é baixa.

De acordo com o chefe de gabinete da Procuradoria-Geral de Justiça de São Paulo, Luiz Henrique Cardoso Dal Poz, ele deverá cumprir a pena máxima. O promotor explicou que o direito à progressão da pena só ocorre para presos que já cumpriram um sexto da condenação, o que não é o caso do ex-médico, que estava foragido. No caso dele, esse prazo vence em 46 anos.

A sentença do ex-médico ainda deve ser revista por desembargadores do Tribunal de Justiça, já que ele foi condenado com uma pena mínima na maioria dos crimes que cometeu. Segundo o Ministério Público Estadual (MPE), sua sentença deveria ser maior. Ele ainda pode ser acusado por outros crimes. A Delegacia de Defesa da Mulher de São Paulo registrou até agora mais 26 acusações formais contra ele e outros quatro casos de manipulação genética.

A defesa de Abdelmassih porém, defende a tese da prisão domiciliar com todas as forças e questiona a legitimidade do inquérito.

Abdelmassih já tinha comparado seu caso ao de José Genoino, dizendo que seu problema é muito mais grave. “Se o Genoino pode sair por causa do problema dele, eu também posso. Eu tenho prótese. Isso é muito pior”, afirmou.

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