Avião usado por Eduardo Campos foi pago por meio de firmas fantasmas

Polícia Federal acredita que o jato possa ter sido comprado com recursos de caixa dois de empresários ou do partido

Por O Dia

Pernambuco - Firmas fantasmas ou sem capacidade financeira foram usadas para pagar o avião em que Eduardo Campos, o então candidato à Presidência pelo PSB, voava no dia do acidente que o matou, de acordo com a reportagem exibida pelo "Jornal Nacional" nesta terça-feira. Extratos bancários mostram que a empresa AF Andrade, que segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) é a proprietária da aeronave, recebeu R$ 1.710.297,03 supostamente pagos para comprar o jato.

Os documentos foram entregues à Polícia Federal pelo antigos donos do avião, Alexandre e Fabrício Andrade. Em depoimento, eles contaram que a aeronave foi comprada por três empresários de Pernambuco: João Carlos Lyra Pessoa de Mello Filho, Apolo Santana Filho e Eduardo Ventola. Além disso, eles afirmaram que haviam repassado o avião para outro empresário, que emprestou para a campanha de Campos.

A reportagem mostrou que os pagamentos foram realizados por meio de 16 depósitos bancários, realizados em nome de seis empresas ou pessoas diferentes, totalizando R$ 1,71 milhão. Entre as empresas, estão a peixaria Geovane Pescados, a RM Construtora — que funciona numa casa no Recife (PE) — e a Câmara & Vasconcelos, cuja sede é uma sala vazia.

A polícia investiga, a pedido da Anac, as razões da queda do avião, mas apura também por que o real dono e o operador do avião eram diferentes.

Apesar de ainda estar registrado na Anac em nome da AF Andrade, a aeronave já era usada por Campos na campanha desde o dia 8 de maio. A Polícia Federal acredita que o jato possa ter sido comprado com recursos de caixa dois de empresários ou do partido.

De acordo com a AF Andrade, Campos chegou a testar o avião em maio, em voo de Ribeirão Preto (SP) até Uberaba (MG). Uma semana depois, João Carlos Lyra assinou o compromisso de compra da aeronave.

O PSB declarou nesta terça-feira que o uso do jato foi autorizado pelos empresários João Carlos Lyra Pessoa de Mello Filho e Apolo Santana Vieira. E que o recibo eleitoral, com a contabilidade do uso do avião, seria emitido ao fim da campanha de Eduardo Campos. Além disso, informou que o acidente, do último dia 13, que morreram assessores do candidato, criou dificuldades para o levantamento de todas informações.

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