Por bferreira

Brasília - A direção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísca (IBGE) anunciou ontem que, ao contrário do que informara, a desigualdade no Brasil teve pequena queda em 2013, mantendo a tendência verificada desde 2001. Na quinta-feira, o órgão divulgou a Pesquisa Nacional de Amostragem de Domicílio (Pnad) de 2013 e informou que os que ganham mais e os que ganham menos tinha aumentado em relação ao ano anterior.

Ontem, o IBGE comunicou que houve erros no cálculo do índice de Gini, que mede o nível de desigualdades nos países a partir da comparação da renda do trabalho. Em vez de passar de 0,496 em 2012 para 0,498 no ano passado, o que caracterizaria aumento, já que, quanto mais perto de 1, maior a desigualdade. Na verdade, houve queda para 0,495.

Segundo o órgão, a falha foi no cálculo do peso das regiões metropolitanas. Os problemas foram nos dados relativos à Pnad em sete estados onde há mais de uma região metropolitana: Ceará, Pernambuco, São Paulo, Paraná, Bahia, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

A explicação da direção do IBGE é que a Coordenação de População usou, ao fazer as projeções para cada região metropolitana, os números da capital. Ao rever os dados, comprovou que os números passados para a montagem da Pnad estavam errados sobre o Gini.

Ontem, mesmo admitindo o erro, a presidente do IBGE, Wasmália Bivar, negou interesse político na divulgação dos números e alegou que a falha não influenciou significativamente os resultados do Pnad sobre a desigualdade no país. Ele explicou que a falha foi constatada graças à contestação feita por órgãos que usam os números da Pnad como base de cálculo em pesquisas.

Entre os que contestaram a informação de que a desigualdade aumentara, está o Instituto de Pesquisas Econômicos Aplicadas (Ipea). Vinculado ao Ministério do Planejamento, o órgão é formualador dos projetos econômicos do governo.

Ministra exige explicação

A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, reagiu ontem com irritação ao saber do erro do IBGE que mudou o índice de desigualdade no país. Ela disse que esse tipo de falha é inaceitável e que a direção do órgão tem que se explicar aos brasileiros.

O diretor de pesquisa do IBGE, Roberto Olinto, negou ontem que tenha havido interesse político na divulgação dos números erradas. Ele alegou que houve apenas uma falha técnica que foi logo corrigida ao ser descoberta. “Foi um infeliz acidente, estritamente técnico. As razões do erro vão ser investigadas”, disse.

Em nota, o IBGE explicou que a Pnad é uma amostragem probabilística e que, “para a geração dos resultados, é necessário definir fatores de expansão ou pesos que são associados a cada unidade selecionada”. E que foi esse o motivo da falha na projeção da renda nas regioões metropolitanas.

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