Risco de seca foi escondido da população de São Paulo

Presidente da Sabesp diz ter sido impedida de alertar sobre a falta d’água na cidade

Por O Dia

São Paulo - A  presidente da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), Dilma Pena, informou em agosto aos membros de sua diretoria que estava sendo impedida “por superiores” de alertar a população sobre a situação dos reservatórios de água da Grande São Paulo. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, que teve acesso à gravação da reunião, ela classifica a ordem como um erro. “Isso tinha que estar na mídia”.

Dilma explica que o alerta para que a população economizasse àgua seria fundamental para evitar problemas. Hoje, como previra ela, a situação na maior parte do estado é grave e várias cidades sofrem racionamento.

Na reunião, em agosto, o diretor metropolitano da Sabesp, Paulo Massato, previu que, se não fossem tomadas providências e se repetisse a estiagem registrada no ano passado, este mês não haveria água para banho na Grande São Paulo. “Quem puder, compra água mineral. Quem não puder, vai tomar banho em Santos, em Ubatuba”, diz ele, que define a situação do Sistema Cantareira como de “agonia”.

No encontro, Dilma Pena não informa com clareza quem deu a ordem, mas a Sabesp tem como principal acionista o governo estadual. Ontem, a assessoria do governador Geraldo Alckmin (PSDB) divulgou nota afirmando que ele “nunca vetou qualquer alerta sobre a crise hídrica” e que cabe à Sabesp, “empresa autônoma da administração indireta, esclarecer as circunstâncias e o sentido das frases gravadas” e, segundo a nota, “vazadas seletivamente há dois dias das eleições”.

Reeleito no primeiro turno, Alckmin vem reclamando das críticas de adversários à falta de ações para evitar o racionamento de água. Ontem, o Sistema Cantareira, que abastece oito milhões de pessoas na Grande São Paulo, chegou a 3% de sua capacidade. Há cidades, como Itu, sendo abastecidas por caminhões-pipa.

Madrugadas na fila da água de poço

Em Itu, a cidade paulista em situação mais grave, com racionamento desde fevereiro, a rotina de muitos moradores é passar a noite na fila para encher garrafões e baldes em 10 torneiras numa praça. A água é de um poço aberto há 20 anos.

O recurso à água do poço é a opção para moradores de regiões onde já não há mais abastecimento regular. Com o nível do reservatório que abastece a cidade em 1%, a população está recebendo águas de carros-pipa.

Mas o volume entregue a cada família não tem sido suficiente e é necessário buscar alternativas. Por isso, há fila na praça para pegar água 24 horas por dia. Alguns vêm de longe, em carros e motos, e fazem várias viagens.

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