Por daniela.lima

Rio - As estratégias de marketing da campanha da presidenta Dilma Rousseff marcam novo tempo na disputa pelos votos e devem inaugurar forma diferente de conquistar eleitores. A opinião é do cientista político Rudá Ricci, do Instituto Cultiva, que fez um inédito acompanhamento das campanhas pelas redes sociais. A página criada para o monitoramento tem 100 mil acessos diários e se manteve em contato com os coordenadores políticos dos candidatos. 

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Em entrevista ao DIA durante o encontro anual da Associação Nacional dos Pesquisadores de Ciências Sociais em Caxambu, Minas Gerais, disse que as “armas” usadas por Dilma e Aécio Neves se aproximaram da lógica das eleições nos EUA, com a exploração das biografias dos candidatos.

Para Ricci, a equipe de Dilma esteve mais focada na busca de eleitores indecisos, essenciais em disputa tão apertada. O pesquisador revela que tanto o pessoal de Aécio Neves, candidato derrotado do PSDB, quanto o de Dilma contrataram empresas e profissionais até do entretenimento para atuar especialmente nas redes sociais.

O PT se organizou de modo mais eficiente para articular o discurso da presidenta nos debates com o que era republicado nas redes. “Eram duas mil pessoas formadas para atuar e não mais aqueles perfis falsos da campanha de 2012. Eram pessoas informadas e com dados”, contou.

Para Ricci, a vitória de Dilma foi planejada em estratégia curiosa. Segundo ele, integrantes do PT informaram que já imaginavam que a primeira semana antes do segundo turno seria de bombardeios. O apoio de candidatos derrotados a Aécio era outro movimento previsto. Naquele momento, a coordenação optou por “segurar o tranco” para começar o “processo de desconstrução” nas redes sociais no fim de semana que antecedeu o debate na Band.

Ele lembra que Dilma colocou em pauta a Lei Maria da Penha e a violência contra a mulher. Aécio se mostrou despreparado para os temas. O PT passou a veicular imagens de Aécio chamando Luciana Genro e Dilma de “levianas” nos debates.[AÉCIO] Ricci explica que a equipe tinha grupo dedicado a pensar estratégias focadas nos indecisos para construir posicionamentos. Foi de lá que surgiu a ideia de tratar a questão da violência contra a mulher.

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