Por thiago.antunes

Rio - Está operando a pleno vapor a bolsa de apostas sobre os integrantes do novo governo Dilma Rousseff, que será empossado no dia 1º de janeiro. Há nomes prováveis e outros que parecem sugeridos pelos próprios interessados. Não passam de balões de ensaio, do tipo se colar, colou. Ou alguém pode imaginar que, derrotado nas eleições do Rio, Anthony Garotinho tem chance de assumir o Ministério dos Transportes?

Quem em sã consciência acredita que o ex-presidente José Sarney (que, pelo visto, votou em Aécio Neves) pode se tornar ministro da Cultura? Bem, o cardápio de sugestões é variado e quem vai decidir mesmo é a presidenta Dilma. Um detalhe, porém, chama atenção nas listas de futuras autoridades que circulam por aí: há pouquíssimas mulheres. Melhor, a única mulher lembrada é a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), para a pasta da Agricultura.

Na longa lista de ministeriáveis%2C a única mulher citada é a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) para a pasta da AgriculturaDivulgação

Chega a ser contraditório. Afinal, Dilma Rousseff entrou para a história do país ao ser eleita a primeira mulher presidente da República. E, agora, acaba de estender seu mandato por mais quatro anos. É de se esperar que seu governo tenha forte presença feminina. Na equipe oficial de 2011, ela promoveu Tereza Campello, amiga dos tempos da Casa Civil, a titular do estratégico Ministério do Desenvolvimento Social (o MDS) e entregou a pasta do Meio Ambiente a Izabella Teixeira.

Para as secretarias de Promoção da Igualdade Racial, de Política para as Mulheres e de Direitos Humanos, também nomeou mulheres, todas com status de ministras. O Planejamento ficou com Miriam Belchior e a Cultura, com Anna de Holanda, irmã de Chico Buarque. Cargos palacianos, como a Casa Civil e as Relações Institucionais, em menos de um ano foram ocupados por Gleisi Hoffmann e Ideli Salvatti. Cercado pelas colegas, Gilberto Carvalho, secretário geral da Presidência, comentou, na época, que o Palácio do Planalto parecia uma espécie de Clube da Luluzinha.

De lá para cá, o poder feminino perdeu prestígio. Quando Gleisi afastou-se para disputar o governo do Paraná, Aloizio Mercadante foi transferido da Educação para a Casa Civil e lá está com carta branca de Dilma. Mais poderoso do que nunca, Mercadante é candidato a ministro da Fazenda. Nas Relações Institucionais, Ideli deu lugar a Ricardo Berzoini, que deve ser mantido. Gilberto Carvalho já anunciou que 12 anos em Brasília foram mais do que suficientes.

Deixa o gabinete no segundo andar do Palácio, que poderá ser ocupado pelo ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto. Gaúcho, Rosseto participou do núcleo da campanha da reeleição, que, por sinal, só tinha homens: João Santana, Giles Azevedo, Rui Falcão e Franklin Martins.

No novo governo, talvez sobrevivam Tereza Campello e Izabella Teixeira, e olhe lá. Marta Suplicy, atual ministra da Cultura, está desgastada com a presidenta. Não é garantida a permanência de Miriam Belchior no Planejamento. A área econômica, na verdade, parece mais um Clube do Bolinha.

Entre os sete diretores do Banco Central, não há vagas para mulheres (já o FED americano é presidido por Janet Yellen). Na Fazenda, elas também não têm vez. Tudo indica que a presidente do FMI, Christine Lagarde, não terá a oportunidade de dialogar com economistas brasileiras que falem pelo nosso governo. Desta vez, não se apontam mulheres nem para a Educação e a Cultura. Mas ainda há esperança. A última palavra será da presidenta Dilma.

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