Por tamara.coimbra

São Paulo - Motoristas e cobradores de ônibus de São Paulo fizeram na manhã desta quarta-feira paralisação de duas horas, das 10h às 12h, para protestar contra os ataques a coletivos e a falta de segurança. De acordo com a São Paulo Transportes (SPTrans), todos os 29 terminais (28 municipais e um intermunicipal) da cidade foram fechados. Os terminais deixaram de atender a um milhão de passageiros durante as duras horas de paralisação. No Terminal D. Pedro II, no Centro da capital paulista, o sindicato da categoria faz ato para conscientizar os usuários sobre a importância de denunciar as pessoas que colocam fogo nos veículos.

Levantamento das empresas de transporte coletivo aponta que, de 1º de janeiro a 3 de novembro, ocorreram 98 ataques a ônibus, além de 21 a cooperativas que atuam na periferia de São Paulo. No ano passado ocorreram 53 ataques a ônibus. A SPTrans, por sua vez, contabiliza 119 veículos incendiados, além de 795 depredados. Em todo o ano passado, 65 ônibus foram incendiados, de acordo com o órgão.

Inicialmente, a interrupção das atividades duraria quatro horas, mas, após negociação com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), o período foi reduzido. Entre os pontos acordados, segundo o Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano (Sindmotoristas), está a criação de uma comissão de trabalhadores para discutir no órgão as questões ligados ao transporte, além de uma linha direta para denúncia de ônibus incendiados pela população e de recompensa para quem denunciar os atos.

Valdevan Noventa, presidente do sindicato, disse que o movimento foi mantido, apesar de a sinalização da secretaria pedir que os usuários apoiem a iniciativa. “Todos nós estamos correndo risco de sermos incendiados dentro dos ônibus. É um trabalho de conscientização. A população deve denunciar e ser contra esse vandalismo”, defendeu. Ele disse ainda que foi escolhido o horário de entrepico para a paralisação com intuito de prejudicar o menor número de pessoas.

O promotor de vendas Júlio César Fernandes, 25 anos, chegou ao terminal às 9h40, pois já estava informado da paralisação, mas mesmo assim não conseguiu pegar o ônibus. “Eles distribuíram um panfleto. Cheguei antes, mas eles já tinham parado. Agora tenho que esperar duas horas aqui”, relatou. Ele disse que se sentiu prejudicado, mas entende a reclamação dos motoristas e cobradores. “Podiam ter deixado pelo menos 50% rodando”, sugeriu. Ele conta que ficou sem alternativa de condução porque no bairro que precisa ir não há metrô ou trem.

A paralisação surpreendeu a dona de casa Maria Xavier, 53 anos. “Não sabia disso. Tenho que voltar para casa para ficar com meu neto que chega da escola ao meio-dia”, relatou. Ela veio ao centro para pegar medicamentos para o marido em um posto de saúde e precisa retornar ao bairro São Mateus, na zona leste. “Agora vou ter de esperar voltar o ônibus e ainda vou demorar pelo menos uma hora e meia para chegar em casa”, reclamou.

O motorista Vladimir Alves de Moraes, 55 anos, está há 30 anos na profissão e conta que nunca viu algo parecido. “Parece que virou moda agora. Não tem sentido queimar ônibus para protestar. Se queimar, é um veículo a menos. O prejuízo é de todo mundo”, avaliou. Ele conta que teme pela sua vida e de colegas. “Não é só nos bairros da periferia que acontece. É em todo lugar. Já trabalhei em bairros muito perigosos. Agora estou em Pinheiros, mas lá também já aconteceu”, apontou.

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