PMDB lidera ranking de doações de empresas

Na campanha eleitoral, partido teve contribuições de R$ 172 milhões de empreiteiras, bancos e frigorífico

Por O Dia

Rio - Maior partido do Senado e com a segunda bancada da Câmara dos Deputados, o PMDB do vice-presidente da República reeleito Michel Temer mostrou que tem poder fogo na arrecadação de recursos de campanha. Até 5 de outubro, primeiro turno das eleições, o partido teve nacionalmente doações que alcançaram R$ 171,9 milhões. Cifra que superou até a arrecadação da campanha da presidenciável Marina Silva, que obteve R$ 96,9 milhões em doações.

A presidenta reeleita Dilma Roussef (PT) e o senador Aécio Neves (PSDB) têm até o dia 25 de novembro para apresentar a prestação de contas com o montante da arrecadação e dos gastos.

Os recursos doados ao PMDB vieram principalmente de empreiteiras, que contribuíram com cerca de R$ 35 milhões, bancos, distribuidoras de bebidas e o frigorífico Friboi (JBS).

Só a Construtora Queiróz Galvão doou R$ 14,5 milhões entre 17 de julho e 22 de setembro, segundo planilha de receitas publicada no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A Norberto Odebrecht entrou com R$ 7,3 milhões, enquanto a Andrade Gutierrez deu R$ 6,4 milhões para o diretório nacional do PMDB. Já a OAS entrou com R$ 5,4 milhões. A maioria dessas construtoras participa de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal.

Fora as empreiteiras, as doações feitas pela JBS também foram volumosas. Às vésperas do segundo turno, nos dias 1º e 2 de novembro, o frigorífico contribuiu com R$ 5 milhões — ao todo, a empresa doou R$ 16, 8 milhões para o PMDB. José Batista Júnior, dono da empresa JBS, trocou em 2013 o PSB pelo PMDB. Em maio, ele desistiu de ser candidato ao governo de Goiás pela legenda.

O setor de bebidas também contribuiu para as campanhas peemedebistas. A CRBS doou R$ 4,2 milhões e a Cervejaria Petrópolis deu R$ 3 milhões. O banco BTG Pactual contribuiu com R$ 4 milhões para os cofres peemedebistas. Um dos sócios da instituição financeira é Pérsio Arida, apontado como um cérebros econômicos da campanha de Marina Silva. O Santander doou R$ 1,7 milhão e o Safra R$ 730 mil.

PV tem arrecadação recorde

Dos onze candidatos à Presidência, sete entraram na corrida ao Palácio do Planalto com poucas chances de vencer e com recursos minguados. Ex-petista e sucesso entre os jovens por suas posições arrojadas, como a defesa da liberação do uso da maconha, o candidato Eduardo Jorge, do PV, surpreendeu ao obter doações que superaram os R$ 12 milhões. Foi praticamente o dobro da receita de campanha do Pastor Everaldo, do PSC, que obteve R$ 6,4 milhões.

A maioria das doações do candidato verde veio de pessoas físicas. Mas houve também contribuições de empresas, como a empreiteira Andrade Gutierrez, que repassou R$ 100 mil para a direção nacional do PV. Já da ArcelorMittal Brasil S.A., que atua na área de mineração e aço, doou R$ 1 milhão para a campanha de Eduardo Jorge.

Também sucesso entre o público jovem, Luciana Genro recebeu bem menos: pouco mais de R$ 300 mil. Seu partido, o Psol, não aceita doação de empresas.

Reportagem de Eugênia Lopes