Relatório mostra melhora do IDH em 16 metrópoles, mas desigualdades persistem

Para calcular o índice geral, três fatores são analisados: a expectativa de vida, a renda per capita e a educação

Por O Dia

Brasília - Além de 16 regiões metropolitanas, o Atlas do Desenvolvimento Humano nas Regiões Metropolitanas Brasileiras, divulgado nesta terça-feira, pesquisou 9.825 unidades de Desenvolvimento Humano (UDHs) — conceito próximo ao de bairros — e concluiu que as desigualdades entre elas foram reduzidas entre 2000 e 2010, mas ainda são acentuadas.

Segundo o estudo, em 2000, 7% das UDHs tinham Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) muito baixo; 32%, baixo; 29%, médio; 21%, alto e 11%, muito alto. Em 2010, não há UDHs na faixa de muito baixo desenvolvimento humano. O percentual de UDHs na faixa de baixo desenvolvimento humano é 2% do universo pesquisado. Trinta e dois por cento das UDHs tinham IDHM médio; 36%, IDHM alto e 30%, IDHM muito alto.

O Atlas é fruto de parceria entre o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e a Fundação João Pinheiro.

O IDHM é um número que varia entre 0 e 1: quanto mais próximo de 1, maior o desenvolvimento humano de um estado, município, de uma região metropolitana ou UDH. Para calcular o índice geral, três fatores são analisados: a expectativa de vida, a renda per capita e a educação.

Apesar da redução das disparidades, a desigualdade dentro dos municípios ainda é fator marcante, segundo o estudo. O Atlas mostra grandes disparidades de renda entre as UDHs de uma mesma região. Em Manaus, por exemplo, a renda média da localidade mais abastada é aproximadamente 47 vezes maior que a da mais carente. De acordo com a pesquisa, a renda per capita mais alta é de Manaus com R$ 7.893,75, enquanto a menor é de R$ 169,1.

Já em São Paulo o maior valor é de R$ 13.802, o maior do país, sendo que o menor é 37 vezes inferior com R$ 351,85.

Embora São Paulo tenha a maior renda média mensal, Brasília ocupa o primeiro lugar no IDHM em padrão de vida porque o índice é medido pela soma da renda média de todos os moradores. O valor total é dividido pelo número de habitantes da localidade, incluindo os sem registro de renda.

5 maiores índices

Brasília: 0,826

São Paulo: 0,812

Curitiba: 0,803

Porto Alegre: 0,797

Rio de Janeiro: 0,796

5 menores índices

Fortaleza: 0,716

São Luís: 0,721

Belém: 0,722

Manaus: 0,724

Natal: 0,736

De acordo com a publicação, a esperança de vida ao nascer varia, em média, 12 anos dentro das regiões metropolitanas avaliadas. “Se consideradas todas as UDHs (mais de 9 mil) das 16 regiões analisadas, o melhor dado corresponde a 82 anos, enquanto o mais baixo é 67 anos. São 15 anos de diferença em termos de expectativa de vida ao nascer”, mostra o estudo.

Quanto à educação, o Atlas informa que nas UDHs com melhor desempenho entre todas as 16 regiões analisadas, o percentual de pessoas com mais de 18 anos com ensino fundamental completo varia de 91% a 96%. “Já nas UDHs com pior desempenho, a variação fica entre 21% e 37%, portanto quase três vezes menor”, aponta a pesquisa.

5 maiores índices

São Luís: 0,737

São Paulo: 0,723

Brasília: 0,701

Curitiba: 0,701

Cuiabá: 0,700

5 menores índices

Manaus: 0,636

Porto Alegre: 0,649

Belém: 0,656

Natal: 0,658

Salvador: 0,661

O objetivo de pesquisar as UDHs é evidenciar as disparidades existentes entre elas, que antes eram omitidas pelas médias municipais. Segundo o estudo, a partir da análise dos dados é possível concluir que mesmo nas regiões metropolitanas mais carentes há bolsões com muito alto desenvolvimento humano e que, nas regiões com maior IDHM, também há várias UDHs com baixos níveis de renda e educação.

De acordo com Olinto Nogueira, coordenador de pesquisa da Fundação João Pinheiro, as UDHs são áreas com a maior homogeneidade socioeconômica possível, amplamente reconhecidas pela população e contíguas.

“As maiores desigualdades estão dentro dos municípios e não entre municípios. Isso que levou a gente a fazer o zoom dentro dos municípios, fugir das grandes médias e tentar aproximar o máximo possível da realidade das pessoas”, disse Nogueira.

As regiões metropolitanas analisadas foram Belém, Belo Horizonte, Cuiabá, Curitiba, Brasília (Distrito Federal), Fortaleza, Goiânia, Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Luís, São Paulo e Vitória. O Atlas foi produzido com base no Censo Demográfico do IBGE de 2010 e apresenta mais de 200 indicadores de desenvolvimento humano em 5.565 municípios brasileiros.

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