Suspeito de cartel dos trens em SP tem 23 contas no exterior

Consultor seria responsável por propinas

Por O Dia

São Paulo - O Ministério Público de São Paulo informou ontem que identificou 23 contas no exterior controladas pelo consultor Arthur Teixeira. Ele é suspeito de ser um dos operadores do cartel que funcionou de 1998 a 2008, durante governos do PSDB, para fraudar licitações e superfaturar em até 30% prestação de serviços e venda de equipamentos ao Metrô e à Companhia Paulista de Transportes Metropolitanos (CPTM).

A informação sobre as contas de Teixeira, todas em bancos europeus, é resultado do acesso dos promotores brasileiros ao processo que já corre na Suíça sobre o caso. Segundo as investigações do MP, Arthur Teixeira intermediava o pagamento de propinas aos funcionários envolvidos no cartel.

No ano passado, em depoimento, o consultor disse que já manteve duas contas na Suíça, mas que não as mantém mais. A defesa dele também sustenta que Teixeira não tem dinheiro depositado em bancos do exterior.

O Ministério Público de São Paulo acusa o Metrô e a CPTM de acordo com empresas, incluindo multinacionais, que formaram um cartel para dividir entre elas os contratos com as estatais do estado. O esquema consistia em acertos entre as concorrentes para dirigir as licitações, com preços superfaturados e pagamento de propina a dirigentes e funcionários do Metrô e da CPTM.

O esquema, que já havia sido denunciado antes, passou a ser investigado a fundo quando a multinacional com sede na Alemanha Siemens admitiu participação de seus executivos no cartel e fez acordo com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). No total, 33 pessoas foram indiciadas por corrupção ativa, incluindo diretores das empresas e das estatais paulistas.

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