Os números da Comissão da Verdade

CNV colheu testemunhos de vítimas de violações dos direitos humanos e de agentes ligados à repressão

Por O Dia

Rio - De maio de 2012 a outubro de 2014, a Comissão Nacional da Verdade ouviu 1.116 depoimentos de pessoas que viveram durante 1946 e 1988, período de abrangência do órgão. Destes, 483 em audiências públicas e 633 de forma reservada.

Dividida em 13 grupos de trabalho temáticos, que apuraram desde o papel das igrejas durante a ditadura, a estrutura da repressão, e os mortos e desaparecidos políticos, a CNV colheu testemunhos de vítimas de violações dos direitos humanos e de agentes ligados à repressão.

Comissão Nacional da Verdade ouviu 1.116 depoimentos de pessoas que viveram durante 1946 e 1988Divulgacao / ascom CNV

O órgão realizou 11 diligências em instalações públicas, civis e militares, que foram reconhecidas por ex-presos políticos como locais onde foram cometidos assassinatos, desaparecimentos forçados, ocultações de cadáver, tortura e detenções ilegais. O Rio de Janeiro foi o estado onde mais se realizaram visitas: a CNV visitou o Hospital Central do Exército, o Aeroporto do Galeão, a Vila Militar de Realengo, o DOI-Codi e a Casa da Morte, local de tortura de presos políticos que funcionou em Petrópolis. Quanto ao DOPS, no Centro do Rio, a CNV recomendou que o prédio seja transformado num espaço público de memória, ideia que enfrenta resistência da Polícia Civil, proprietária do espaço.

Em novembro de 2013, foi criado um núcleo pericial para elucidar locais e métodos de assassinato e tortura. Foram expedidos 21 laudos relativos a 15 unidades militares, realizaram-se quatro exumações e 98 visitas a arquivos públicos.

A ouvidoria da CNV recebeu 1.984 comunicações nestes dois anos de atuação. Destas, 1.072 referiram-se a pedidos de informação, 289 reclamações, 211 envio de informações, 210 denúncias, 76 a oferecimentos de depoimento, 106 sugestões e 20 elogios.

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