Dilma anuncia mais sete ministros para segundo mandato

A dois dias da posse, presidenta ainda não definiu 15 titulares da Esplanada dos Ministérios

Por O Dia

Rio -  A presidenta Dilma Rousseff anunciou nesta segunda-feira mais sete ministros, sendo cinco deles petistas. A negociação com os partidos da base aliada atrasou o fim da reforma ministerial: o PT tentou convencer o PDT a deixar o Ministério do Trabalho, mas segundo Carlos Lupi, presidente nacional da legenda, o comando da pasta continuará com o pedetista Manoel Dias.

Entre os petistas anunciados está Ricardo Berzoini, que sai das Relações Institucionais para ocupar a pasta das Comunicações, atendendo ao desejo de setores mais à esquerda do partido. A articulação entre o Palácio do Planalto e o Congresso, atribuição da pasta das Relações Institucionais, ficará a cargo do deputado Pepe Vargas. Os outros petistas com espaço na Esplanada são Miguel Rossetto para a Secretaria Geral; Patrus Ananias para o Desenvolvimento Agrário; e Carlos Gabas para a Previdência. O PR seguirá com a pasta dos Transportes — Antonio Carlos Rodrigues assumirá — e o PP terá o comando da Integração Nacional, com Gilberto Occhi.

Dilma anunciou o nome de mais sete ministros que irão compor o seu segundo governo a partir de 2015Agência Brasil

O Palácio do Planalto não confirmou que Manoel Dias seguirá como ministro do Trabalho. A ideia era compensar o PT depois da perda do Ministério da Educação, que ficará com Cid Gomes, do Pros. Ao DIA, o presidente do PDT Carlos Lupi declarou que foi sondado pessoalmente por Dilma para uma troca ministerial: a ideia da presidenta era que o PDT fosse para Previdência, e o Trabalho ficaria com o PT.

No fim de semana, por telefone, ele declarou a presidenta que o partido não se entusiasmara com a ideia. “Preferimos continuar onde já estamos”, afirmou Lupi, que já ocupou a pasta entre 2007 e 2011, e deixou o cargo sob suspeita de envolvimento num esquema de cobrança de propina de ONGs contratadas para capacitar trabalhadores.

Na avaliação de Lupi, não passou de “fofoca” a versão de que o PDT estaria insatisfeito por ter estar sendo supostamente pressionado pelo Palácio do Planalto para mudar de ministério. “O que a gente queria e pediu para Dilma, na verdade, era uma outra área, onde pudéssemos desenvolver políticas públicas com influências diretas na sociedade”, disse.

Faltam ainda 15 nomes para que Dilma conclua a composição do futuro ministério de seu segundo mandato presidencial.

PT do Rio ainda espera para ganhar pasta

Além das divisões ideológicas internas no partido, o PT também enfrenta problemas “geográficos”. Presidente da legenda no Rio, Washington Quaquá está insatisfeito com a não presença de petistas fluminenses no ministério de Dilma. “Ninguém do Rio foi procurado. O PT vive a ‘paulistocracia’, e o partido está quase acabando em São Paulo”, disparou Quaquá. O diretório estadual apresentou a Rui Falcão, presidente nacional da legenda, o nome do deputado federal Chico D’Angelo como o de consenso para ocupar um ministério. A Secretaria Nacional dos Portos, que era a pasta de desejo, já tem ocupante definido. “Dilma venceu aqui no Rio, e ninguém veio conversar conosco”, reclamou o dirigente fluminense.

Dos seis petistas nomeados até agora para Esplanada, três são de estados onde a presidenta perdeu, sendo dois do Rio Grande do Sul, e um de São Paulo. Petistas baianos e mineiros já foram contemplados.
Do Rio, cogita-se o nome do deputado federal Alessandro Molon para ocupar a Secretaria de Comunicação Social, órgão responsável pelo controle do orçamento do governo em publicidade. Dilma deve concluir a reforma ministerial até amanhã.

Críticas ao ministro dos Esportes

A ONG Atletas pelo Brasil divulgou ontem nota condenando a nomeação do deputado federal George Hilton (PRB-MG) para o Ministério do Esporte. Na carta, assinada por personalidades do esporte, como Dunga, Kaká, Rubens Barrichello, Bernardinho, Hortência, Oscar Schmidt e Ana Moser, fala-se em “vergonha”.
“Às vésperas das Olimpíadas, Dilma abriu mão de uma oportunidade de melhorar a gestão do esporte. Decepcionou todo um setor de atletas, jornalistas, empresários, organizações, trabalhadores e amantes do esporte em geral”, diz trecho do comunicado, que também reclama do uso da pasta como barganha política. O documento condena ainda o fato de George Hilton não ter vinculação ao desporto: ele é pastor da Igreja Universal e apresentador de TV.

 

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