Dilma promete ajustes em meio a cenário nebuloso

Ao tomar posse para o segundo mandato, presidenta vê a economia do país bem diferente daquela quando assumiu, em 2011, mas destaca conquistas sociais

Por O Dia

Brasília - A ex-guerrilheira e ex-prisioneira política Dilma Rousseff escreveu nesta quinta-feira, aos 67 anos, o seu segundo capítulo na política brasileira, ao entrar para a História como a primeira mulher reeleita para comandar o país por dois mandatos consecutivos. Aclamada para a Presidência da República com 51,65% dos votos válidos, a candidata do Partido dos Trabalhadores (PT) tomou posse ontem no Congresso Nacional, ao lado do vice-presidente Michel Temer (PMDB), para mais quatro anos no poder — 16 em mãos petistas. E prometeu fazer ajustes para diminuir o peso das contas públicas sem cortar os benefícios sociais.

Às 15h30 do primeiro dia do ano, Dilma vê um país diferente do que encontrou, há quatro anos, quando recebeu a faixa presidencial do ex-presidente Lula. Apesar do tempo bom durante toda a cerimônia, o cenário econômico é bastante nebuloso. Em 2011, a posse foi debaixo de chuva, mas, naquela época, Dilma encontrou um país com inflação sob controle e o maior PIB desde a redemocratização.

Desta vez, porém, terá pela frente o segundo pior crescimento do período e a maior carga tributária dos últimos 25 anos. Por outro lado, assume o cargo com a confiança de quem gerou mais empregos e resgatou 36 milhões de brasileiros da miséria. “Nunca tantos brasileiros ascenderam às classes médias. Nunca tantos brasileiros conquistaram tantos empregos com carteira assinada”, enfatizou Dilma, citando uma expressão do ‘padrinho político’, a quem fez questão de homenagear durante o discurso de posse. “A partir do extraordinário trabalho iniciado pelo governo do presidente Lula, continuado por nós, temos hoje a primeira geração de brasileiros que não vivenciou a tragédia da fome”.

Dilma Rousseff, ao lado da filha Paula, acena para a multidão que acompanhou a posse, em Brasília: ‘Hora de melhorar o que está bom’Efe

Dilma destacou que, apesar das conquistas, ainda há muito a ser feito. “O fim da miséria é apenas um começo. Agora é a hora de prosseguir com o nosso projeto de novos objetivos. É hora de melhorar o que está bom, corrigir o que é preciso e fazer o que o povo espera de nós”, declarou a presidenta, logo após desfilar acompanhada da filha Paula Rousseff em carro aberto, um Rolls-Royce, pela Esplanada dos Ministérios, e fazer o juramento no Congresso.

A solenidade foi acompanhada por cerca de 40 mil pessoas na Esplanada dos Ministérios, 10 mil a mais do que em 2011. A segurança da festa foi reforçada por 8 mil homens, entre militares e policiais. Na presença do presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros, Dilma anunciou um pacote de medidas, entre elas o 3º PAC ( Programa de Aceleração do Crescimento) e o 2º Programa de Investimento em Logística. Às vésperas das Olimpíadas, em 2016, a presidenta garantiu que R$ 143 bilhões serão investidos até 2018 em obras de mobilidade urbana.

Novo lema do país prioriza educação

A educação como prioridade. Ao anunciar o novo lema do governo — ‘Brasil, Pátria Educadora’ —, Dilma afirmou que todas as áreas devem convergir para universalizar o acesso a um ensino de qualidade em todos os níveis, da creche à pós-graduação.

Para isso, a presidenta reafirmou o compromisso de usar recursos dos royalties do petróleo. Uma das metas será incluir, até 2016, todas as crianças de 4 e 5 anos na pré-escola, além de garantir ensino em tempo integral e alfabetização na idade certa. Em seu discurso, ontem, em Brasília, Dilma prometeu 12 milhões de vagas nos cursos técnicos do Pronatec, até 2018, e outras 100 mil bolsas de estudo no exterior para jovens no Programa Ciências Sem Fronteiras.


Mais Médicos e moradias em pauta

Vitrine da gestão Dilma, o programa Minha Casa, Minha Vida entrará na terceira fase de investimentos no segundo mandato. A meta é construir mais três milhões de novas moradias, que se somarão aos dois milhões de casas entregues e 1,7 milhão em construção.

Alheia às críticas de associações médicas, Dilma anunciou a extensão do ‘Mais Médicos’, a partir da implantação do programa ‘Mais Especialidades’, destinado a regiões distantes dos grandes centros urbanos onde faltam especialistas e exames complexos. Ao mesmo tempo, ela deverá ampliar a abertura de cursos de graduação em Medicina e em residência médica.

“O Brasil vai continuar como o país líder no mundo em políticas sociais transformadoras”, declarou Dilma, assegurando a manutenção e a inclusão de novos beneficiários do Bolsa Família, outra marca do governo petista e uma de suas promessas de campanha. Segundo Dilma, o programa vai priorizar a formação profissional dos adultos para gerar renda e a educação de jovens e crianças.


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