Presidenta defende Petrobras e promete extirpar corrupção

Diante de seu novo ministério, Dilma anunciou medidas para combater desvios de conduta

Por O Dia

Brasília - Retomando o discurso feito durante a corrida eleitoral, Dilma Rousseff enfatizou, nesta quinta-feira, a necessidade de promover a reforma política e de implementar medidas de combate à corrupção. No primeiro discurso de sua posse, no Congresso Nacional, a presidenta prometeu enviar ao parlamento ainda neste semestre um pacote com uma série de mecanismos para aprimorar o combate a desvios de conduta.

“A corrupção rouba o poder legítimo do povo. A corrupção ofende e humilha os trabalhadores, os empresários e os brasileiros honestos e de bem. A corrupção deve ser extirpada”, disse.
As medidas elencadas foram propostas durante a campanha. Entre elas estão criminalizar o enriquecimento de agentes públicos que não tenham justificativa ou origem comprovada, criminalizar a prática de caixa 2 na legislação eleitora e agilizar os processos de pessoas que tenham foro privilegiado na Justiça.

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A presidenta também mencionou a situação da Petrobras, que está envolvida em denúncias de pagamentos de propina a seus diretores e funcionários: “Temos que saber apurar e saber punir, sem enfraquecer a Petrobras, nem diminuir a sua importância para o presente e para o futuro. Não podemos permitir que a Petrobras seja alvo de um cerco especulativo de interesses contrariados com a adoção do regime de partilha e da política de conteúdo nacional.”

No discurso, ela não mencionou o nome da presidenta da empresa, Maria das Graças Foster. Dilma sempre intercedeu em favor da executiva, que tem sofrido pressões para deixar o cargo diante da crise na companhia.

Antes de tomar posse, Dilma afirmou que consultaria o Ministério Público Federal para formular a nova composição ministerial. O objetivo foi evitar a indicação de políticos envolvidos na Operação Lava-Jato, que investiga a petrolífera.

MINISTROS

Após discursar, Dilma empossou os novos ministros no Salão Nobre do Palácio do Planalto. Dos 39 líderes das pastas governamentais, 15 permaneceram no cargo, quatro trocaram de ministério e vinte são novatos.
Petistas históricos, como Patrus Ananias (Desenvolvimento Agrário) e Ricardo Berzoini (Comunicações) foram bastante aplaudidos. Já alguns ministros que ocuparam cotas de partidos aliados, como Gilberto Kassab (Cidades), George Hilton (Esportes) e Kátia Abreu (Agricultura e Pecuária) receberam vaias discretas quando tiveram seus nomes anunciados no microfone.

Os três nomes foram os mais controversos da reforma ministerial, que abrigou dez partidos. Hilton, cuja pasta ganha força por causa da Olimpíada, teve a nomeação criticada por entidades ligadas a atletas. Kátia Abreu desagrada os opositores da bancada ruralista. Já Kassab assumiu uma das pastas mais cobiçadas da Esplanada.

Onze ministros fazem parte da cota pessoal de Dilma, entre eles a equipe econômica, com um perfil técnico e considerado ortodoxo por economistas.


Com 13 pastas, PT terá menos espaço nos novos ministérios

Dilma assume o novo mandato rodeada de um ministério menos petista. Para acomodar os partidos de sustentação do governo, a presidenta retirou três pastas do comando do próprio partido. O PT agora controla 13 cargos, incluindo a Saúde, em que Arthur Chioro foi mantido, e a Defesa, para onde foi alocado o ex-governador da Bahia Jaques Wagner.

Posto cativo do partido nas gestões petistas, o Ministério da Educação foi para as mãos do PROS, na figura do ex-governador do Ceará, Cid Gomes. A pasta, que recebe um dos maiores montantes do governo, ganha mais força diante do lema anunciado por Dilma para o novo governo: Brasil, pátria educadora.
“Estamos dizendo que a educação será a prioridade das prioridades, mas também que devemos buscar, em todas as ações do governo, um sentido formador, uma prática cidadã, um compromisso de ética e um sentimento republicano”, afirmou Dilma. Para contrabalançar a indicação, ela nomeou o petista Patrus Ananias para o Desenvolvimento Agrário.

O PMDB ficou com seis ministérios e vai controlar parte do setor de infraestrutura, com as secretarias de Portos e Aviação Civil e o Ministério das Minas e Energia. O partido também ficou com a Agricultura, para onde foi nomeada a senadora Kátia Abreu. A escolha de uma representante da bancada ruralista do Congresso desagradou integrantes do PT e os movimentos sociais. Ao chegar para a posse, ela minimizou as críticas. “Vivemos numa democracia, nem Jesus Cristo agradou todo mundo. E eu também não pretendo. A unanimidade é burra”, afirmou.

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