Cantareira vai receber água do Paraíba do Sul

Agência aprova projeto de ligação do rio ao sistema que abastece São Paulo

Por O Dia

São Paulo - A Agência Nacional das Águas (ANA) anunciou nesta sexta-feira que a água do Rio Paraíba do Sul será usada para recompor os reservatórios do Sistema Cantareira, principal fonte de abastecimento dos moradores da Grande São Paulo. O anúncio foi feito após reunião do diretor-presidente da agência, Vicente Andreu, com representantes dos três estados cortados pelo rio: São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

O secretário de Saneamento e Recursos Hídricos de São Paulo, Benedito Braga, principal interessado na interligação, disse que as obras começam este mês, e a previsão é que terminem em março do ano que vem.

Mesmo com chuvas fortes na Região Metropolitana de São Paulo%2C os reservatórios que formam o Sistema Cantareira continuam em quedaEfe

O projeto, cujo relatório foi aprovado ontem pela ANA e pelos três estados, prevê a ligação do reservatório da hidrelétrica de Jaguari, no Rio Jaguari, um dos afluentes do Paraíba do Sul, ao reservatório do Rio Atibainha, parte do Sistema Cantareira. Mas o uso da água será controlado pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul (Ceivap), formado por representantes dos governos de São Paulo, do Rio de Janeiro e de Minas Gerais e da sociedade civil dos três estados.

A ANA informou ainda que, para que a transferência de água seja iniciada, será necessário aprovar regras que garantam a manutenção do nível dos reservatório, mas sem risco de desabastecimento de outros estados, principalmente do Rio de Janeiro. O objetivo, segundo a assessoria de imprensa da agência, é garantir o abastecimento até em períodos de pouca chuva.

Uma das principais regulamentações é a que vai definir a vazão máxima para o Cantareira. Essa é uma exigência do governo do Rio de Janeiro, que era, no início, contra a transferência das águas do Paraíba, proposta pelo governador paulista Geraldo Alckmin.

A Bacia do Rio Paraíba do Sul abastece diversas regiões do Estado Rio de Janeiro. Ela é uma das formadoras do Sistema Guandu, que fornece água à capital fluminense e a outras cidades da Região Metropolitana.

Nível dos reservatórios continua caindo

As fortes chuvas que caem na Região Metropolitana de São Paulo desde a semana passada não atingiram os reservatórios do Sistema Cantareira, que continua em queda. Na quinta-feira, temporais causaram alagamentos em bairros das zonas norte, leste e central da capital paulista, mas, segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), nos reservatórios do sistema, choveu apenas 0,5 milímetro, volume insuficiente para compensar as perdas do dia.

Com isso, o nível dos reservatórios caíram de 6,3% para 6,2% em relação a quarta-feira. No mês, o total de chuvas está em 60,1 milímetros, abaixo da média para o mês, que é 271,1 milímetros.
No Sistema Alto Tietê também foi registrada queda, de 11,1% para 10,9%, de quarta-feira para quinta-feira. Na região, choveu em janeiro 32,4 milímetros, quando o esperado para o mês é 251,5 milímetros.

O nível do Sistema Guarapiranga manteve-se em 40%. Também não houve registro de chuva sobre esse manancial. A precipitação acumulada na primeira quinzena é de 131 milímetros em janeiro, dentro do esperado para a média histórica do mês, que é 229,3 milímetros.

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