Por paloma.savedra

Rio - Depois de passar por quatro cirurgias, o surfista catarinense Ricardo dos Santos morreu nesta terça-feira, aos 24 anos, um dia depois de levar três tiros em frente à sua casa, na praia da Guarda do Embaú, Santa Catarina. Conhecido como Ricardinho da Guarda, ele foi baleado após uma discussão com um PM, que foi preso. 

O atleta passou por quatro cirurgias no Hospital Regional de São José, e ainda recebeu 100 bolsas de sangue, mas não resistiu aos múltiplos ferimentos que atingiram pulmão e tórax. O surfista sofreu, nesta manhã, uma parada cardiorrespiratória.

Ricardinho ganhou o prêmio de onda da temporada havaiana%2C em 2013Reprodução Instagram

Comunidade do surfe lamenta morte

A notícia da morte do surfista catarinense chocou a comunidade do surfe. Depois de se unirem em uma corrente pedindo doações de sangue a Ricardinho, surfistas brasileiros publicaram mensagens de lamento com a confirmação da morte de Ricardinho. 

Gabriel Medina divulgou imagens em homenagem ao amigo Ricardinho e postou uma foto com a tela preta em luto pela morte do surfistaReprodução Instragram

Depois de postar pela manhã mensagens em apoio à recuperação do catarinense e fazer apelos por doação de sangue, Maya Gabeira publicou uma foto de um céu nublado. "Nublado. Escuro", escreveu a surfista.

Em luto, Gabriel Medina postou no seu Instagram uma foto totalmente preta com a seguinte legenda: "Ricardinho, você não merecia isso! Nao mesmo, nunca! Por que isso acontece com gente do bem? Não entendo isso! Moleque gente boa, sempre ajudando o próximo, sorriso de orelha a orelha todos os dias, exemplo de pessoa". Mais cedo, Medina já havia postado uma foto de Ricardinho com apelo para doações de sangue ao surfista. 

Medina também havia escrito na rede social, pela manhã, que estava “muito triste com a notícia” e acrescentou: “mas Deus vai te guardar irmão”. 

Maya Gabeira se juntou aos surfistas que lamentaram a morte de Ricardinho e postou uma foto de um céu nublado para declarar o lutoReprodução Instragram

Filipe Toledo postou uma foto do surfista e definiu a sua morte como "inacreditável". Além disso, o atleta se mostrou inconformado: 'Não entra na minha cabeça". 

Minutos depois de saber da morte, o também surfista Adriano dos Santos escreveu, no Facebook, um texto em homenagem ao atleta.  "O que falar quando você perde um grande amigo? O que falar quando vc perde uma pessoa tão alegre, de bom coração e de bem com a vida como o Ricardinho? Tenho tantas memórias boas em relação a ele que é difícil escolher uma só. Porém, quero manter para sempre em minha mente essas suas qualidades e sua coragem para seguir em frente. Uma vez escutei que aqueles que amamos nunca morrem, partem antes de nós. Que você fique com Deus meu amigo e que lá de cima você possa nos proteger", disse Adriano. 

Pela manhã, Alejo Muniz pediu, em português e em inglês, orações ao colega. “Te amo irmão vamos sair dessa logo”, escreveu. Adriano de Souza, o Mineirinho, também comentou o caso. “Força, você vai sair dessa mais forte que antes.”

"Isto não entra na minha cabeça"%2C disse o surfista Filipe Toledo no seu InstagramReprodução Instragram

O surfe

Ricardinho surfava desde os 7 anos de idade e era especialista em ondas pesadas e tubulares. Em 2012, o atleta eliminou o 11 vezes campeão do mundo Kelly Slater. Além disso, superou o famoso Taj Burrow e só perdeu contra Mick Fanning, atual vice-mundial, terminando na quinta posição. No ano seguinte (2013), Ricardo ganhou o prêmio de onda da temporada havaiana, batendo nomes como Slater e J.J. Florence.

O catarinense, que compeltaria 25 anos em maio, participava de competições oficias da Liga Mundial de Surfe (antiga ASP) desde 2008, tendo surfado em sete etapas do Circuito Mundial (WCT), além de inúmeros eventos da Qualifying Series (torneio classificatório).

O surfista catarinense começou a disputar etapas do Circuito Mundial em 2008. Estava fora da elite desde 2013. Em 2012, em um de seus maiores feitos na carreira, derrotou Kelly Slater, dono de 11 títulos mundiais, em uma das etapas do WCT.

PM que baleou surfista está preso

Ricardinho foi baleado por volta das 8h50 desta segunda-feira, na praia da Guarda do Embaú, no município de Palhoça, por um policial militar lotado em Joinville, que passava férias no local. Segundo informações de testemunhas e dos bombeiros, o surfista foi atingido por três tiros após uma discussão com o militar. De acordo com o Corpo de Bombeiros, ele foi encaminhado pelo helicóptero Arcanjo para o Hospital Regional de São José.

Inicialmente, o PM e o seu irmão foram detidos por serem os principais suspeitos. E, nesta terça-feira, a Polícia Militar de Santa Catarina confirmou que o autor dos três disparos contra o esportista é o policial militar Luis Paulo Mota Brentano, 25 anos, lotado em Joinville.

De acordo com a corporação, o agente realizou exame toxicológico diante das diferentes versões repassadas por testemunhas. O texto também aponta que ele vai responder inquérito civil sobre o caso e que o Comando Geral da PM também já determinou a abertura de Inquérito Policial Militar para averiguar os fatos. O policial ficará preso no quartel da Polícia Militar em Florianópolis para facilitar as investigações.

O soldado autor dos disparos diz que agiu em legítima defesa. Ele sustenta que o surfista e outro homem teriam o ameaçado com um facão em uma discussão por causa do lugar em que estava parado com o carro, na Guarda do Embaú.

Pouco depois de saber da morte do amigo, o também surfista Adriano dos Santos publicou no Facebook um texto lamentando a perda de Ricardinho. "O que falar quando você perde um grande amigo? O que falar quando vc perde uma pessoa tão alegre, de bom coração e de bem com a vida como o Ricardinho? Tenho tantas memórias boas em relação a ele que é difícil escolher uma só. Porém, quero manter para sempre em minha mente essas suas qualidades e sua coragem para seguir em frente. Uma vez escutei que aqueles que amamos nunca morrem, partem antes de nós. Que você fique com Deus meu amigo e que lá de cima você possa nos proteger", escreveu.

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