Por felipe.martins, felipe.martins
Brasília - O governo federal fez ontem gestos de reaproximação e de conciliação com o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que foi eleito para presidir a Câmara pelos próximos dois anos. Cunha derrotou o petista Arlindo Chinaglia (SP), candidato patrocinado pelo governo à presidência da Câmara. A presidenta Dilma Rousseff, que considera Cunha pouco confiável e o trata como um desafeto político, telefonou ontem para o novo presidente da Câmara para parabenizá-lo pela vitória. “Foi uma conversa amistosa”, definiu Eduardo Cunha.

Além da presidenta, os ministros da Casa Civil, Aloizio Mercadante, da Justiça, José Eduardo Cardozo, e de Relações Institucionais, Pepe Vargas, conversaram com Cunha e falaram em tom de conciliação. Mercadante e Pepe Vargas trabalharam fortemente para eleger Chinaglia, que obteve apenas 136 votos contra os 267 do peemedebista — Cunha foi eleito em primeiro turno. “Ele (Cunha) já disse que quer preservar a independência do Legislativo, mas não será uma presidência de oposição”, observou Mercadante, que foi ontem ao Congresso levar a mensagem do Executivo que marca o início dos trabalhos do Legislativo.

O ministro Mercadante entregou mensagem do Executivo para Eduardo Cunha (E) e Renan Calheiros (D)Divulgação

O novo presidente da Câmara se encontrou <CW4>também</CW> com o vice-presidente da República, Michel Temer. Aliado de Cunha, o vice é um dos caciques do PMDB e será o principal responsável pela interlocução com o Palácio do Planalto.

MENSAGEM
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Em mensagem levada ao Congresso por Mercadante, a presidenta Dilma garantiu que seu governo não vai promover “recessão ou retrocesso na economia” e prometeu combate à corrupção. <MC0>“Ajustes fazem parte do dia a dia da política econômica. Ajustes nunca são um fim em si mesmo. São medidas necessárias para atingir objetivos de médio prazo, que, em nosso caso, permanece o mesmo: crescimento econômico com justiça social”, disse a presidenta, na mensagem lida pelo primeiro secretário da Câmara, Beto Mansur (PRB-SP). “Não promoveremos recessão e retrocesso”, garantiu.
Sem citar o escândalo da Petrobras, Dilma disse que o Brasil “avança” no combate à sua “histórica impunidade”.
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Pedro Paulo ganha bolão
Eleito para seu segundo mandato como deputado federal, Pedro Paulo Carvalho (PMDB-RJ), o supersecretário do prefeito Eduardo Paes, faturou com a vitória de seu companheiro de partido Eduardo Cunha. Pedro Paulo, que na semana que vem retorna para a prefeitura do Rio, ganhou R$ 2,6 mil em um bolão promovido entre os correligionários de Cunha. Ao todo, 53 deputados participaram da aposta, cada um com R$ 50. Todos eles apostaram na vitória de Cunha no primeiro turno. Mas Pedro Paulo foi o único a cravar os 257 votos obtidos pelo peemedebista.
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Um jantar na noite de domingo comemorou a vitória de Cunha. Os peemedebistas fizeram piada com a articulação política do governo Dilma Rousseff. Eles apelidaram os ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil) de Freddie Mercury, vocalista bigodudo da banda Queen, e Pepe Vargas (Relações Institucionais) de Pepe Legal — desenho animado estrelado por um cavalo atrapalhado, que às vezes atirava no próprio pé.
Mas enquanto os peemedebistas comemoravam a eleição de Cunha, integrantes do PT resolveram bater boca pelas redes sociais. No Twitter, os ex-deputados Cândido Vaccarezza (PT-SP) e Fernando Ferro (PT-PE) discutiram sobre o que levou à vitória de Cunha .
Em uma mensagem, Vaccarezza disse que a articulação política do governo prejudicou o PT. “O PT fica fora da mesa e das principais comissões por incompetência da articulação política do governo e do próprio PT na Câmara”, afirmou. Fernando Ferro reagiu. “Calma Vaccarezza, pareces não esconder um certo contentamento?” Vaccarezza respondeu. “Calma. Você me conhece, não me falte com respeito. Não fica bem para a nossa história”, retrucou. Ferro cobrou que o tema fosse discutido internamente.
APOSTA
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