Ações da Petrobras disparam 15% com queda de Graça Foster

Presidente da companhia acertou com Dilma saída em março

Por O Dia

Brasília - Os rumores sobre a possível saída de Maria das Graças Foster da presidência da Petrobras catapultaram as ações da empresa na bolsa nesta terça-feira. A executiva se reuniu com Dilma Rousseff no Palácio do Planalto durante a tarde. No encontro, que durou cerca de três horas e terminou depois do fechamento do pregão, ficou acertada a saída de Graça Foster e de toda a diretoria da estatal dentro de um mês, logo após a aprovação do balanço anual da companhia.

A permanência da cúpula da Petrobras ficou insustentável diante do escândalo de corrupção desvendado pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal. A presidenta tem planos também de trocar o Conselho de Administração da petrolífera, imprimindo um perfil mais técnico e menos político. Ministros de Estado costumam compor o conselho da estatal.

O cerco a Graça Foster apertou na semana passada, quando a empresa divulgou seu balanço financeiro não auditadoAgência Brasil

Mesmo sem um anúncio oficial sobre a troca de comando, o mercado ficou eufórico. As ações preferenciais subiram 15,13%, para R$ 9,97, e as ordinárias chegaram a R$ 9,75, alta de 13,77%. A valorização puxou o bom resultado do Ibovespa no dia, que fechou em alta de 2,70%. O otimismo persistiu mesmo depois do anúncio de que a empresa havia sido rebaixada pela agência de classificação de risco Fitch.

O cerco a Graça Foster apertou na semana passada, quando a empresa divulgou seu balanço financeiro não auditado, referente ao terceiro trimestre de 2014. O documento não contabilizou as baixas com os atos de corrupção na companhia e decepcionou os investidores. Além disso, a diretoria anunciou um corte de investimentos e apresentou um cálculo de perdas estimadas em R$ 88 bilhões nos ativos da companhia. A divulgação deste valor, que não foi incorporado ao balanço, teria desagradado à presidenta Dilma Rousseff.

SUCESSÃO

No mercado, possíveis nomes para a sucessão começaram a circular com mais força ontem. Um dos cotados é o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles. No fim do ano passado, especulava-se que ele poderia assumir o Ministério da Fazenda.

Outro nome ventilado é o do ex-presidente da Vale Roger Agnelli. Apesar de ser respeitado pelo mercado, Agnelli e Dilma se estranharam no período que antecedeu sua saída da mineradora, em 2011. Atualmente, ele é sócio da mineradora B&A em parceria com o banco BTG.

Um terceiro nome seria o de Rodolfo Landim, que trabalhou com Eike Batista na OGX (hoje Eike é um de seus maiores desafetos). Landim foi funcionário de carreira da Petrobras e presidiu as subsidiárias Gaspetro e BR Distribuidora. “O nome do Meirelles é mais provável de ter saído do Planalto, mas o mercado iria preferir o Agnelli ou o Landim”, avalia Celson Plácido, estrategista-chefe da XP Investimentos. Apesar do aumento das ações no início desta semana, a corretora não recomenda o investimento na petrolífera.

Na avaliação de André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos, a engenharia de substituição de Graça Foster deverá combinar aceitação do mercado com bom trânsito no governo. “A Petrobras está em processo de reestruturação que não será alterado fortemente. É uma empresa complexa, muito grande para chegar lá e mudar tudo. Pode ser que a Dilma coloque um nome amigável para o mercado, mas não sei se será tudo que estão esperando”, afirma.

Empresário afirma ter dado R$ 12 milhões em propina a Renato Duque

Um dos delatores da Operação Lava Jato, o executivo Júlio Gerin de Almeida Camargo afirmou, em depoimento ao juiz federal Sergio Moro, que pagou propina de R$ 12 milhões ao ex-diretor da área de Engenharia e Serviços da Petrobrás Renato Duque e ao ex-gerente Pedro Barusco. Segundo ele, o pagamento de propina é “a regra do jogo” na Petrobras.

Já o empresário Augusto Ribeiro Mendonça Neto, do grupo Toyo Setal,reiterou que Renato Duque mandou pagar parte da propina negociada nos contratos fechados com a Petrobras em forma de doação oficial ao PT. Segundo ele, no total, as propinas pagas em dois contratos fechados pela empresa somaram cerca de R$ 60 milhões. Ele entregou à Polícia Federal depósitos realizados ao PT no valor de R$ 4,26 milhões.
Júlio Camargo reconheceu ter atuado na intermediação de contratos em duas grandes obras da Petrobras: o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), em Itaboraí (RJ); e a Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária (PR).

No primeiro caso, ele representava a Toyo Setal, empresa para a qual prestou consultoria e em que ocupou cargo executivo. Na obra da Repar, Júlio Camargo representava o consórcio CCPR, integrado pela Camargo Corrêa e pela Promon Engenharia. “Tinha como regra 1%, mas isso era muito flexível e, muitas vezes, era negociado. No meu caso, sempre negociei para menor e nunca para maior. Eu paguei em torno de R$ 12 milhões. A maioria dos pagamentos era feita em contas indicadas no exterior e outra parte em reais aqui no Brasil”, afirmou Julio Camargo.

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