Por thiago.antunes

Rio - Em meio às denúncias de envolvimento do PT no esquema de corrupção da Petrobras, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que “a quarta vitória eleitoral consecutiva do partido despertou os mais baixos instintos dos nossos adversários”. Antes do início da festa para comemorar os 35 anos da legenda, Lula defendeu o tesoureiro nacional, João Vaccari Neto, para os dirigentes reunidos no encontro do Diretório Nacional do PT, em Belo Horizonte.

“Na dúvida, fique com o companheiro”, disse Lula, orientando os petistas. O ex-presidente classificou o depoimento coercitivo de Vaccari à Polícia Federal como “repugnante”. E pediu aos militantes para não vacilarem na defesa do partido e do tesoureiro. “Se ficarmos quietos, a sentença já está dada. O PT vai ter que voltar para luta. Não podemos permitir que quem não tem moral, venha dar moral na gente”, afirmou. A presidenta Dilma Rousseff também participou do encontro.

Um dia depois de depor na Polícia Federal, Vaccari foi aplaudido durante encontro do PT, em Belo Horizonte Efe

Em representação protocolada na Operação Lava Jato, o Ministério Público Federal afirmou que o tesoureiro Vaccari “foi responsável por operacionalizar o repasse de propinas ao Partido dos Trabalhadores, decorrentes de contratos firmados no âmbito da Petrobras”. Segundo os procuradores, Vaccari integrou um grupo de onze “operadores financeiros” que “movimentaram em seu nome e lavaram centenas de milhões de reais em detrimento da Petrobras”.

Foi a partir desse documento que o Ministério Público Federal e a Polícia Federal conseguiram ordem judicial para desencadear anteontem a nona fase da Lava Jato, denominada My Way. O principal depoimento envolvendo Vaccari foi dado por Pedro Barusco, ex-gerente de Engenharia da Petrobras. O doleiro Alberto Youssef e Paulo Roberto Costa, ex-diretor da estatal, também disseram que Vaccari “era o operador responsável por viabilizar, no interesse do PT, o repasse de propinas decorrentes de contratos firmados pela Petrobras”.

‘Petrolão’ começou no governo FHC, diz Barusco

Além de ter estimado que o PT recebeu, entre 2003 e 2013, de US$ 150 milhões a US$ 200 milhões em propina, o ex-gerente de Serviços da Petrobras Pedro Barusco revelou que o esquema de corrupção na estatal começou no governo de Fernando Henrique Cardoso. Em depoimento no dia 21 de novembro do ano passado, ele disse ter recebido propinas em troca da aprovação de contratos desde 1997 ou 1998.

Ontem, na reunião do Diretório Nacional do PT, em Belo Horizonte, Vaccari desqualificou o depoimento de Barusco. “Ele (Barusco) só fala de mim”, disse o tesoureiro, ao argumentar que só está no cargo de tesoureiro do PT desde 2010, enquanto o próprio ex-gerente declarou que vem recebendo propina desde a década de 90. Barusco apontou Vaccari como responsável por arrecadar US$ 50 milhões de propina para o PT. No encontro petista, Vaccari foi aplaudido pelos militantes e dirigentes da sigla.

No depoimento à Polícia Federal sob o acordo de delação premiada, Barusco explicou que o primeiro pagamento de propina que participou foi em relação a dois contratos firmado com a empresa holandesa SBM, em 1997 ou 1998.

O ex-gerente da estatal disse que foi envolvido no esquema porque os contratos exigiam sua participação técnica, já que ele era o coordenador da área e ocupava o cargo de gerente de Tecnologia de Instalações da Diretoria de Exploração e Produção. Após a formalização do primeiro contrato, o pagamento de propinas virou rotina uma vez que “esses contratos eram de longa duração e, desse modo, o pagamento das propinas também perdurou por longos anos”.

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