Por felipe.martins

São Paulo - A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) vai estabelecer esta semana o nível mínimo dos reservatórios que abastecem o estado para iniciar o racionamento do fornecimento de água. Por determinação do governador Geraldo Alckmin (PSDB), será adotado uma espécie de “gatilho”, que será acionado e limitará a distribuição quando o nível chegar à cota considerada de segurança.

A determinação do nível para cada reservatório será feita pelo presidente da Sabesp, Jerson Kelman, e técnicos da Companhia. A expectativa é que o sistema entre em operação em março.
O objetivo de Alckmin é afastar as críticas pela falta de informação sobre a gravidade da situação dos reservatórios de São Paulo na campanha para sua reeleição. No período eleitoral, o governador disse que não havia risco de racionamento, mas, após tomar posse no novo mandato, anunciou a possibilidade de rodízio na distribuição de água.

Agora, o governo paulista usa o slogan “transparência e visibilidade” para tratar os problemas causados pela seca prolongada. A criação do “gatilho”, cujos níveis serão divulgados à população, faz parte dessa nova fase.

Reserva do Jaguari%2C do Sistema Cantareira%2C está a 30 metros abaixo do seu nível considerado normalReuters

Além disso, o governo alega que, com o “gatilho” e a divulgação dos índices dos reservatórios, a população terá possibilidade de se preparar para enfrentar períodos sem abastecimento. O objetivo é que, com o acompanhamento, os moradores de São Paulo saibam com antecedência quando o racionamento será adotado.

Mas as chuvas que caíram na semana passada e no fim de semana e que elevaram ontem o nível do Sistema Cantareira pelo quarto dia consecutivo deixaram o presidente da Sabesp esperançoso de que o “gatilho” nem precise ser acionado. A esperança é que os reservatórios resistam até maio, quando será iniciada a transferência de água da Represa Billings para o Sistema Alto Tietê, o segundo em importância na Região Metropolitana de São Paulo.

O nível do reservatório do Sistema Cantareira registrou ontem aumento de 0,1%, de 5,6% para 5,7%. Foi o quarto dia consecutivo de elevação do volume do reservatório, que abastece 8,1 milhões de pessoas na Região Metropolitana de São Paulo.

Segundo técnicos da Sabesp, a elevação de ontem é consequência das chuvas de sábado no Estado de São Paulo. Apesar de fracas, elas atingiram a região do reservatório. Também subiram os níveis dos reservatórios dos outros cinco sistemas que abastecem os moradores da capital paulista e de seu entorno. O aumento mais significativo foi no Guarapiranga, que passou de 51,1% para 52,3%.

No Alto Tietê, a elevação registrada ficou em 0,3%, atingindo o nível de 12,4%. Já os sistemas Alto Cotia, Rio Grande e Rio Claro operam em situação considerada confortável, com níveis, respectivamente, de 32,6%, 78,9% e 31% de sua capacidade total.


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