Terceira reintegração de posse em SP nesta semana ocorre de forma pacífica

Houve confronto em retomada realizada na terça e na quarta-feira, em Guarulhos e em Osasco, respectivamente. Terreno da Zona Sul será destinado à construção de casas populares

Por O Dia

Brasília - Desde o começo da manhã desta quinta-feira, 320 famílias estão sendo retiradas de dois terrenos pertencentes à Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo (Cohab), no Jardim Novo Santo Amaro, na Zona Sul da capital paulista. Apesar do grande número de pessoas envolvidas, a saída é ocorre de maneira pacífica no processo de reintegração de posse acompanhado pela Polícia Militar, o terceiro desta semana.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública, acordo com os ocupantes fechado antes do início da retomada autorizada pela Justiça evitou o confronto. Uma das áreas fica na rua Poço da Pedra, onde há um ano viviam cerca de mil pessoas em 280 moradias entre barracos de madeira cobertos por lonas ou casas de alvenaria. Na mesma área em uma rua próxima outras 40 famílias também foram intimadas pela Justiça a deixar o local.

Manifestantes ateiam fogo durante reintegração de posse em GuarulhosReprodução / TV Globo

O terreno está destinado à construção de casas populares por meio projeto Minha Casa, Minha Vida, do governo federal. A desocupação deveria ter ocorrido no último dia 29 de janeiro, mas um acordo entre o órgão municipal e os invasores estendeu o prazo para que as famílias deixassem o local espontaneamente.

“Como os moradores não deixaram a área, a PM e os órgãos de apoio prosseguiram com a organização da ação”, diz a nota da SSP. Mas, antes disso, ocorreram reuniões com os representantes dos órgãos públicos envolvidos. A partir dessas reuniões, os moradores foram informados sobre a mudança. Houve também a distribuição de panfletos explicativos sobre a ação aos moradores.

Reintegração em Osasco tem confronto

Nesta quarta-feira, a reintegração de posse em um terreno na cidade de Osasco, na Grande São Paulo, teve confronto entre a Polícia Militar e moradores. Foram registrados três focos de incêndio nas entradas da ocupação, feitos com barricadas e um carro. O Corpo de Bombeiros foi acionado e apagou as chamas. Durante a manhã, a situação ainda era tensa e ouvia-se sons de disparos vindos do alto do morro.

Segundo o capitão da Polícia Militar Márcio Agamenon, a Guarda Civil metropolitana de Osasco foi responsável pela ação de remoção das famílias, já que o terreno é de propriedade da prefeitura. "É uma operação de retirada de pessoas de área de risco. Foi [feito um] levantamento e esse local pode ter risco para as pessoas, ainda mais porque é um período de muita chuva. A prefeitura resolveu retirá-las para resguardá-las", disse.

O morador Antônio Marcos Plínio, pedreiro de 29 anos, reclamou que os cerca de 3 mil moradores da ocupação não foram avisados antecipadamente sobre a reintegração de posse. Ele conta que a ocupação era recente, existia há pouco mais de um ano. Plínio acrescentou que a prefeitura tem um projeto para transformar o espaço em um parque. O morador lamentou a remoção: "minha mulher está grávida e está com medo. Eu trabalho de pedreiro. Tem dia que tem serviço, tem dia que não tem e se for viver de aluguel, a gente não vive", disse.

Bombas e balas de borracha em Guarulhos

Na terça-feira, também a Tropa de Choque da Polícia Militar entrou em confronto com moradores de um terreno ocupado em Guarulhos durante outro processo de reintegração de posse. Os policias atiraram bombas de efeito moral e balas de borracha em ocupantes que protestavam contra a ação de remoção.

A chegada das equipes da polícia ocorreu às 6h. Em protesto, os ocupantes fizeram barricadas nas entradas do local e colocaram fogo. Retroescavadeiras entraram no terreno e iniciaram a demolição de parte dos barracos, em sua maioria, feitos de madeira.

Uma das moradoras, Sandra Silva Sampaio, 38 anos, diarista, contou que socorreu uma vizinha de 13 anos, ferida no rosto por bala de borracha. “Ela entrou com a irmã para tentar salvar as coisas, mas não conseguiu tirar tudo de dentro do barraco. Quando estava indo embora, os policias começaram a reagir, e atingiram o rosto dela com bala de borracha. A gente estava de carro e prestamos socorro. Deixamos ela no hospital e ligamos para a mãe dela, que estava trabalhando”, disse. Após receber atendimento, a garota foi liberada e passa bem.

Segundo moradores, que preferiram não se identificar, o proprietário do terreno fez uma reunião com as famílias para vender os lotes. No acordo, os moradores pagariam R$ 6 milhões pelo terreno, mas o proprietário exigiu o pagamento de uma entrada no valor de R$ 31 mil, sendo que o restante seria parcelado. Como o acordo não foi concretizado, o proprietário optou pela reintegração de posse.

De acordo com os moradores, vivem no local mais de 2 mil famílias de diversas nacionalidades, como bolivianos, argentinos, chilenos e africanos. A assessoria de imprensa da PM, informou que aproximadamente 300 pessoas moravam no local.

A área está localizada na Estrada do Elenco, Parque Primavera, próximo ao Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos. A decisão sobre a reintegração partiu da 6ª Vara Civil de Guarulhos. O terreno é particular, de propriedade de Cláudio Antônio Ferreira Velloso. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, o local foi ocupado em abril do ano passado e está em uma Área de Preservação Permanente.


Com informações da Agência Brasil.

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