Polícia Federal prende o ex-ativista italiano Cesare Battisti em São Paulo

Ele foi condenado na Itália à prisão perpétua por homicídio. Em 2004, fugiu para o Brasil, onde foi preso três anos depois

Por O Dia

São Paulo - O ex-ativista italiano Cesare Battisti foi preso nesta quinta-feira em São Paulo. O pedido de deportação do Ministério Público Federal foi atendido pela juíza da 20ª Vara Federal de Brasília Adverci Rates, no último dia 26.

Por ser uma deportação, o italiano não retornará a seu país natal, onde cumpriria a sentença de prisão perpétua. Battisti deverá ser deportado ao México ou à França, seus destinos anteriores após a fuga da Itália. A deportação, no entanto, só será realizada depois que os recursos contra a decisão sejam transitados em julgado pela Justiça.

Polícia prende Cesare Battisti em São PauloDivulgação

O italiano foi preso ontem pela Polícia Federal em Embu das Artes, na Grande São Paulo, onde morava com a mulher e a filha. Ele se submeteria a um exame de corpo de delito — uma formalidade aplicada a presos —, ainda ontem à noite, nas instalações da PF, que vai mantê-lo sob custódia até que a deportação seja cumprida.

O advogado de Battisti, Igor Tomasauskas, disse estar à procura de esclarecimentos sobre a prisão. “Ainda não entendi o que aconteceu, estou buscando informações para defender meu cliente.”

Preso em 2007, o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou sua extradição para a Itália. Mas o então presidente Luís Inácio Lula da Silva reverteu sua condição para refugiado político, justificando que o italiano era vítima de perseguição.

Battisti foi sentenciado à prisão perpétua na Itália, nos anos 1970, após supostos atentados que resultaram na morte de quatro pessoas. Ele nega a autoria dos crimes. Após a fuga, o ex-ativista viveu em França e México e chegou ao Brasil, em 2009, onde ganhou a condição de refugiado político.

Em seu relatório, a juíza justificou sua decisão por se tratar de acusado de crime doloso, o que vetaria sua permanência no país pela Justiça brasileira. “No presente caso, trata-se, na verdade, de estrangeiro em situação irregular no Brasil, e que por ser criminoso condenado em seu país de origem, não tem o direito de aqui permanecer, e portanto, não faz jus à obtenção nem de visto nem de permanência”.A magistrada afirma que a deportação de Battisti não afrontaria a decisão de Lula e nem a do Supremo.

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