Por clarissa.sardenberg
Publicado 16/03/2015 18:35 | Atualizado 16/03/2015 19:00

Brasília - O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, dieclarou nesta segunda-feira que a presidenta Dilma Rousseff não demonstrou fragilidade diante das manifestações ocorridas neste domingo que pediam por seu impeachment. Segundo ele, após os protestos que tomaram as ruas das principais cidades brasileiras, Dilma se mostrou 'firme' na condução da equipe.

“Ela é uma mulher que tem um arraigado sentimento de democracia e ela tem uma característica: ela é muito firme. Ela sabe conduzir sua equipe dentro das orientações dela. A presidente Dilma não é uma mulher frágil. Ela é firme para enfrentar os desafios que lhe são colocados”, disse o ministro após participar da reunião da coordenação política do governo com a presidente, nesta segunda, no Palácio do Planalto.

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Cardozo reafirmou que a presidenta anunciará até o fim da semana o pacote de medidas anticorrupção que está sendo preparado e que o governo está aberto ao diálogo com movimentos que o apoiam e os que são contrários.

O ministro comentou que não se sentiu constrangido com os panelaços ocorridos durante sua entrevista coletiva no domingo, após os protestos. Segundo ele, “quem se constrange com atos democráticos, não é democrático”. “Muitos brasileiros ouviram o que queriam dizer. As pessoas que não queriam ouvir, bateram panelas”, disse o ministro, após a reunião que avaliou a atual conjuntura política e social do país.

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“Houve um tempo em que, se alguém batesse panela enquanto o ministro da Justiça falava, era enquadrado na Lei de Seguranças Nacional. Felizmente isso mudou. Antes, o ministro da Justiça dizia: nada a declarar. Hoje, eu tenho o dever de declarar. Eu estaria rasgando um passado de luta do povo brasileiro se eu me constrangesse com alguém batendo panela”, disse Cardozo.

Da reunião participaram os ministros de Minas e Energia, Eduardo Braga; da Casa Civil, Aloizio Mercadante; da Secretaria-Geral, Miguel Rossetto; da Secretaria de Aviação Civil, Eliseu Padilha; de Relações Institucionais, Pepe Vargas; de Ciência e Tecnologia, Aldo Rebelo; das Cidade, Gilberto Kassab; da Defesa, Jaques Wagner, da Secretaria de Comunicação, Thomas Traumann, além do chefe do Gabinete Pessoal da presidente, Gilles Azevedo.

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Reforma política

Cardozo ainda reafirmou que como resposta às manifestação o governo insistirá na defesa da reforma política. O governo tem se agarrado na tese de que o atual sistema político é a “porta de entrada” para a corrupção, devido a necessidade de financiamento das campanhas, cada vez mais caras.

“Está claro que, cada vez mais, é necessário debatermos a realidade de nosso sistema político. Os brasileiros precisam ter um sistema político que não seja porta de entrada para a corrução”, enfatizou.

Após a reunião, o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga disse eu o governo tem buscado “com humildade” enfrentar a crise econômica, mas que há um “esgotamento” de sua capacidade de mitigar os efeitos sobre a população.

“O governo buscou até o esgotamento de sua capacidade mitigar estes desafios e mantendo os programas sociais. Nenhum programa social do governo será extinto”, disse o ministro que admitiu a possibilidade de “correções” nos objetivos.

Além disso, Braga disse que não há como o governo continuar fazendo política anti-cíclica, ou seja, tomando medidas que suavizam o impacto da crise para a população, mas aumentam os gastos do governo. “É preciso ter coragem para fazer ajustes”, disse Braga.

“Nossa capacidade de subsidiar, nosso esforço anti-cíclico chegou ao limite de nossa responsabilidade. Nós chegamos ao nosso limite. O governo precisa compartilhar com todos. Não temos mais como segurar esses subsídios e alavancar empregos como fizemos em 2008”, disse Braga.

Reportagem de Luciana Lima - iG Brasília

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