Governo potiguar admite pedir ajuda ao Exército

Militares seriam usados para conter rebeliões em prisões do Rio Grande do Norte

Por O Dia

Rio Grande do Norte - O governador do Rio Grande do Norte, Robinson Maia (PSB), decretou ontem situação de calamidade pública nos presídios do estado e admitiu pedir ajuda às Forças Armadas para conter os motins e ataques a ônibus e carros da polícia. Desde quarta-feira, foram registradas rebeliões em 14 penitenciárias e cinco ônibus e um carro da Polícia Militar foram incendiados.

Ontem, chegaram a Natal 130 homens da Força Nacional enviados pelo Ministério da Justiça para reforçar o policiamento nas prisões potiguares. A expectativa é que 190 homens das tropas federais e 40 de polícias rodoviárias do Nordeste reforcem o policiamento na Região Metropolitana de Natal e na região de Mossoró.

Ontem, um novo motim foi iniciado na Penitenciária Agrícola Doutor Mário Negócio, em Mossoró. Segundo o vice-diretor do presídio, José Fernandes, quatro detentos foram feridos por colegas durante a manhã.

Os feridos, que foram espancados pelos outros presos, estão internados no Hospital Regional Tarcísio Maia. Segundo Fernandes, nenhum deles corre risco de vida. Ele não explicou as razões para a agressão.

Fernandes informou que estão amotinados na unidade 200 presos de um dos pavilhões da penitenciária. Eles destruíram as celas, mas não fizeram nenhuma reivindicação. “Sabemos que a ordem partiu de Natal, mas ninguém quis falar nada”, disse o vice-diretor.

Os motins nos presídios foram iniciados na quarta-feira em quatro unidades da Grande Natal. Entre as reivindicações dos presos estão ventiladores, TVs e até tênis para poderem jogar futebol, além de fim da superlotação das celas.

Além disso, presos gravaram vídeos pedindo a saída de Dinorá Simas, diretora da Penitenciária Estadual de Alcaçuz, a maior do estado. A secretária de Segurança Pública e Defesa Social, Kalina Leite, avisou, no entanto, que nenhum diretor será afastado e sua saída nem sequer foi discutida.

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