Por clarissa.sardenberg
Publicado 19/03/2015 15:57 | Atualizado 19/03/2015 16:35

Rio - O ex-diretor de Engenharia e Serviços da Petrobras Renato Duque declarou nesta quinta-feira que sua esposa "nunca esteve com o presidente Lula". A afirmação ocorreu durante seu depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras. Duque havia escolhido permanecer calado, mas abriu uma exceção para comentar as citações sobre a esposa. "Minha esposa nunca esteve com o presidente Lula ou com o senhor Okamoto. Não se conheceram", afirmou. Ele declarou ainda que entende tais citações como ameaças.

Duque resolveu falar após o deputado Izalci (PSDB) citar a reportagem da revista Veja que sugeriu que sua esposa teria entrado em desespero após o marido ser preso e sem poder mais recorrer a Zé Dirceu, procurou o braço direito de Lula, Paulo Okamoto.

Saiba mais: 'Permanecerei calado', afirma Renato Duque na CPI da Petrobras

Ela teria então ameaçado reunir provas para mostrar que o ex-presidente Lula sabia de todo o esquema de corrupção caso seu marido continuasse preso na superintendência da Polícia Federal em Curitiba, na primeira vez em que a Operação Lava Jato decretou sua prisão, no fim do ano passado. Dias após a suposta conversa, Duque foi solto por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).

Renato Duque durante depoimento na CPI da Petrobras nesta quinta-feiraAgência Brasil

A advogada de Renato Duque pediu para falar com o ex-diretor antes da sessão começar e pediu que ele permanecesse em silêncio. Quando questionado sobre seu relacionamento com o ex-gerente de Serviços da estatal Pedro Barusco, Duque continuou em silêncio.

“Não posso dizer que é um prazer estar aqui, mas uma obrigação e, por orientação da minha defesa técnica na condição de investigado, estou exercendo o meu direito constitucional ao silêncio, reservando-me a responder ao Judiciário todas as acusações que foram feitas contra mim”, declarou Duque. "Existe uma hora de falar e outra de calar. Ao meu ver, essa é a hora de calar", reiterou.

Duque foi preso nesta segunda-feira pela Polícia Federal, durante a deflagração da 10ª Fase da Operação Lava Jato, no Rio de Janeiro, em um condomínio na Barra da Tijuca, zona oeste da cidade, enquanto tomava café com a família. Na casa do ex-diretor da Petrobras foram apreendidas mais de cem obras de arte, além de relógios e canetas. Após a prisão, ele foi transferido para Curitiba.

Com a prisão, houve dúvidas a respeito do depoimento de Duque na comissão. Um ato da Mesa Diretora da Câmara, de 2006, proíbe depoimentos de presos nas dependências da Casa. Em razão disso, a CPI chegou a solicitar ao juiz Sérgio Moro que Renato Duque fosse ouvido nas dependências da Polícia Federal ou do Ministério Público Federal, em Brasília.

Moro chegou a acatar o pedido da CPI, marcando o depoimento de Duque para o auditório da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), decidiu suspender o ato para permitir que o ex-diretor de Serviços da Petrobras preste depoimento na CPI, nas dependências da Casa. O avião da Polícia Federal que trouxe o ex-diretor de Serviços da Petrobras chegou a Brasília por volta das 9h40.

Nesta segunda, o Ministério Público Federal denunciou o ex-diretor Renato Duque e mais 26 pessoas por lavagem de dinheiro, corrupção e formação de quadrilha.

Você pode gostar