Em Goiânia, petista e tucano trocam gentilezas contra vaias

Em discurso, governador Marconi Perillo faz defesa veemente da presidenta Dilma Rousseff

Por O Dia

Rio - A animosidade em nível nacional entre PT e PSDB teve uma trégua ontem, com troca de afagos políticos entre o governador de Goiás, Marconi Perillo, e a presidenta Dilma Rousseff. Em visita da presidenta a Goiânia, o tucano fez uma defesa veemente do governo federal.

Sob forte esquema de segurança, Dilma participou de assinatura da ordem de serviço para o início das obras do BRT Norte-Sul, corredor de ônibus de 21 km. No domingo, protesto contra o governo federal reuniu 60 mil pessoas em Goiânia, segundo a PM.

Ao discursar, Perillo foi recebido com gritos e vaias por parte da plateia, composta principalmente por apoiadores da presidenta. Goiânia é administrada pelo prefeito Paulo Garcia, do PT.

“É dispensável dizer que recebi muitos conselhos, presidenta, para não estar aqui”, contou Perillo. “Eu disse que se eu, em todos os momentos, jamais concordei com a intolerância e com as injustiças em relação à presidenta, se eu sempre a recebi aqui respeitosamente, não vou temer comparecer a algum evento onde eventualmente alguma claque pode me hostilizar. Venho aqui como governador legitimamente reeleito do Estado de Goiás para receber uma presidente da República que foi legitimamente reeleita e que tem o meu apoio à sua governabilidade.”

Ao defender Dilma, o tucano passou a ser aplaudido por toda a plateia. “O Brasil não pode ser vítima da intolerância, do desrespeito. Não pode ser vítima de minorias que não querem uma democracia onde o republicanismo possa prevalecer”, disse o tucano.

Dilma pediu tolerância e defendeu a democracia e o direito de manifestação.

Mudanças nos ministérios serão específicas

Um dia depois da demissão de Cid Gomes da Educação, a presidenta Dilma Rousseff garantiu ontem que não usará critério partidário para ocupar a pasta. Mas, apesar de ela afirmar que as mudanças serão pontuais e não haverá reforma ministerial, o PMDB do vice-presidente Michel Temer pressiona por mais espaço na Esplanada.

“Vocês estão criando uma reforma que não existe. São alterações pontuais. Estou fazendo uma alteração pontual no Ministério da Educação.Não tenho perspectiva de alterar nada nem ninguém, mas as circunstâncias, às vezes, obrigam você a alterar, como foi o caso da Educação. Não tem reforma ministerial”, afirmou.

Segundo ela, o MEC não será “dado”. “O MEC não é dado a ninguém. Vou escolher uma pessoa boa para a educação, não a pessoa desse, daquele ou de outro partido.”

Dilma disse que o substituto de Cid será escolhido “o mais rápido possível”. Uma da hipóteses é que o ministro da Casa Civil, o petista Aloizio Mercadante, volte à Pasta.

Ela aceitou a demissão de Cid após audiência dele na Câmara. O objetivo foi evitar que o PMDB deixasse de apoiá-la e agravasse a crise política com o Congresso.

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