Golpistas fora do protesto

Oposicionistas mudam horário do ato de domingo para isolar quem defende a ditadura

Por O Dia

Rio - Eles se uniram no dia 15 de março, têm em comum a aversão à presidenta Dilma Rousseff e ao PT, mas não conseguem se entender. A nova direita que organiza manifestações contra o governo para o domingo no Rio se dividiu entre os que pedem e não aceitam uma intervenção militar.

No mês passado, chamou atenção a quantidade de pessoas pedindo a volta das Forças Armadas ao poder: uns falavam em uma inexplicável “intervenção constitucional”, e outros usaram cartazes em inglês pedindo “ajuda contra o comunismo”, um dos argumentos para a ditadura instalada em 1964.

Para evitar associação com qualquer um desses grupos, os movimentos ‘Vem Para Rua’ e ‘Revoltados ON Line’, de abrangência nacional, além do ‘Cariocas Direitos’, mudaram o horário de sua manifestação e sairão de manhã. Entre os mestres de cerimônia do protesto, o humorista Marcelo Madureira e o deputado Jair Bolsonaro (PP).

À tarde, o ‘Movimento Brasil Livre (MBL)’, que atua em todo país, vai às ruas com grupos que, por exemplo, chamam a ditadura de “revolução”, além de pregar a intervenção militar. É o caso do ‘Pesadelo dos Políticos 2.0, grupo com 213 mil seguidores no Facebook e que dispara contra homossexuais e uma suposta “ditadura gay” em vigor no Brasil. Estarão neste segundo ato do dia 12 o ‘União Contra a Corrupção Brasil’ e o ‘bélico’ grupo ‘Extermínio do Foro de São Paulo, MST e PT’.

Um dos articuladores do ‘Vem Para Rua’ e dos ‘Cariocas Direitos’, Denis Abreu condenou quem defende intervenção militar. “Parece que são muitos, mas são poucos e desmoralizam nosso movimento. Respeitamos o MBL, mas não queremos proximidade com intervencionistas”, argumentou.

O MBL disparou contra o ‘Vem Para Rua’, argumentando que eles são elitistas. No tocante à intervenção militar, dizem não defender, mas não rechaçam a ideia e considera “democrático” o debate. Hoje, vão protestar na Uerj durante ato organizado por alunos em desagravo ao governo da Venezuela. “A divisão é mais por vaidade do que por ideologia”, diz Lorraine Alves, do MBL.

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