Militares brasileiros ignoram pedidos de 'intervenção', diz ministro da Defesa

Segundo Jaques Wagner, intervenção militar é uma 'afronta contra a democracia' e afeta o governo e instituições do Estado

Por O Dia

Rio - Os militares ignoraram os pedidos de uma "intervenção militar" contra o governo, que são ouvidos nos recentes protestos contra a presidente Dilma Rousseff, afirmou nesta terça-feira o ministro da Defesa, Jaques Wagner. Essa chamada tem uma adesão "com tendência zero" nos quartéis, disse Wagner em declarações aos jornalistas e perante a presença de vários generais, após participar da abertura da feira de defesa LAAD Defence & Security.

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Segundo o ministro da Defesa Jaques Wagner, intervenção militar é uma "afronta contra a democracia"Pilar Olivares / Reuters

O ministro disse que sente "tristeza" por ver que uma parte dos brasileiros deseja uma intervenção militar, embora sustentou que é uma "parcela minoritária de entre 9% e 11%" dos que participaram dos protestos. A chamada a uma intervenção militar, segundo Wagner, é uma "afronta contra a democracia" e não só afeta o governo, mas todas as instituições do Estado.

Os maiores protestos contra Dilma e contra a corrupção ocorreram em 15 de março, quando 2 milhões de pessoas se reuniram em dezenas de cidades. No domingo passado, os protestos se repetiram, mas congregaram cerca de 700 mil pessoas em diversas cidades, segundo cálculos da polícia, embora neste caso os manifestantes puseram mais ênfase em pedir a renúncia ou a destituição de Dilma.

Wagner disse que a "bandeira da destituição não consegue motivar" a maioria dos brasileiros e avaliou que o governo recebeu "com humildade e tranquilidade" as manifestações.

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