Por tamara.coimbra

São Paulo - A Sabesp divulgou nesta quarta-feira pedido de reajuste de 22,7% das tarifas de água da Região Metropolitana de São Paulo. O índice é quase nove pontos superior aos 13,9% propostos pela Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp).

O aumento, que ainda precisa ser aprovado pela Arsesp, fará com que as contas de quem gasta até 10 mil litros por mês subam R$ 8,13 por mês. Estão nessa faixa 55% dos clientes da companhia na RMSP. Para quem consome 13 mil litros, a alta prevista é de R$ 11,94 por mês.

O índice final deverá ser divulgado pela Arsesp em 25 de abril e pode ser aplicado pela Sabesp a partir de 30 dias depois. Segundo uma fonte da agência, é difícil que os 22,7% sejam aprovados.

A proposta foi criticada por organizações da sociedade civil como a Assembleia Estadual da Água, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e o Greenpeace.

Há quatro meses, a alta foi de 6,5%

A proposta de elevar as contas em 22,7% surge quatro meses após a Sabesp aplicar um reajuste de 6,5% nas contas, em dezembro passado. Esse aumento, que deveria ter sido aplicado em maio de 2014, com um índice de 5,4%, foi postergado para depois da reeleição do governador Geraldo Alckmin (PSDB).

"Nós estávamos implantando o bônus [para quem reduzir o consumo], a crise estava no auge e achamos que íamos dar uma sinalização ambígua", disse o superintendente da Sabesp José Sylvio Xavier, responsável por divulgar o novo índice de reajuste pedido durante audiência pública realizada pela Sabesp.

A Sabesp argumenta que o novo reajuste é necessário para compensar o aumento dos custos da energia elétrica e a diminuição no consumo de água na RMSP, decorrente da crise hídrica. Entre janeiro de 2013 e janeiro de 2015, o volume total consumido na região caiu de 70 para 53 mil litros por segundo.

Segundo Xavier, mesmo clientes do interior e do litoral, regiões onde a dificuldade de abastecimento não é tão expressiva, têm reduzido o consumo.

A crise fez o lucro da Sabesp cair 53% em 2014 em relação a 2013. Esse foi o percentual de recuo nos juros e dividendos pagos aos acionistas da empresa. O maior deles é o Estado de São Paulo. Os investimentos da empresa também saíram prejudicados.

Você pode gostar