Por bferreira

Rio - Até o ano passado presidente do PSB, partido de Marina Silva que quase tirou de Aécio Neves (PSDB) a vaga no segundo turno contra Dilma Rousseff (PT), Roberto Amaral ganha hoje a vida como assessor parlamentar do deputado Wanderson Nogueira, de seu partido, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Pelo trabalho de consultoria, ele recebe R$ 6.490,35 mensais, mesmo sem precisar dar expediente na Alerj.

O DIA esteve ontem no gabinete do deputado Nogueira, e Amaral não estava.Funcionários afirmaram que nunca viram Amaral por lá desde sua nomeação, em 24 de março. À reportagem, Amaral explicou que não é necessário bater ponto, já que suas atribuições são de “orientação parlamentar, pesquisa, redação de discursos e acompanhamento de agendas externas”.

“Para você ver como há gente que passa pelo poder e não fica rico”, respondeu Amaral por telefone, acrescentando que vive do salário que recebe como aposentado do INSS, cujo o teto é de R$ 4.663,75.

Com 61 livros publicados, o ex-presidente do PSB, partido de Eduardo Campos, morto em agosto de 2014, Roberto Amaral sempre esteve na política mas nunca foi eleito. Próximo ao poder, sempre teve um cargo em órgãos públicos — normalmente em instituições federais.

Sua vida mudou quando brigou com as alas ligadas aos herdeiros de Campos, que aderiram ao PSDB. Ao DIA, Amaral chegou a chamá-los de oportunistas.

Perdeu a presidência da Fundação João Mangabeira e influência na legenda. Com a intervenção do senador Romário no PSB do Rio, deixou de comandar a legenda até em seu próprio estado, onde ainda mantinha ascendência. “Sou dissidência no PSB e sofro as consequências disso”, reclamou.

Por nota, o deputado Wanderson Nogueira afirmou que “qualquer deputado orgânico gostaria de ter em seu quadro uma referência” como Roberto Amaral e acrescentou que ele estará no gabinete “sempre que requisitado”.

Amaral foi ministro de Ciência e Tecnologia entre 2003 e 2004: ex-diretor-geral do projeto Alcântara Cyclone Space — uma binacional malsucedida com a Ucrânia criada para operar lançamentos de foguetes do Maranhão — em 2007; ex-professor da PUC-RJ, das Faculdades Integradas Hélio Alonso, ex-conselheiro do BNDES e da Binacional Itaipu.

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