Por felipe.martins

Rio - A presidenta Dilma Rousseff anunciou nesta sexta-feira, em uma das três mensagens divulgadas nas redes sociais pelo Dia do Trabalho, a criação de um fórum para debater políticas de emprego e renda. Ela disse também que é preciso reconhecer como legítimas as reivindicações de todos os segmentos sociais e destacou ainda a valorização do salário mínimo. Segundo ela, em seu primeiro mandato, o mínimo cresceu 14,8% acima da inflação. Dilma afirmou que essa política beneficia 45 milhões de trabalhadores da ativa e aposentados.

Em protestos ontem pelo país%2C trabalhadores se dividiram a favor e contra o governo%2C que valorizou em 14%2C8% o salário mínimo em 13 anosReuters

Dilma diz que essa valorização é uma das maiores conquistas dos últimos 13 anos. A presidenta lembrou que, em março, enviou ao Congresso Nacional uma medida provisória que garante a política de valorização do salário mínimo até 2019. De acordo com a presidenta, dessa forma o poder de compra do trabalhador está sendo assegurado por lei. “Já tínhamos aprovado em 2011 uma lei semelhante a essa. Por isso o salário mínimo cresceu 14,8% acima da inflação em meu primeiro mandato. Mais de 45 milhões de trabalhadores e aposentados são beneficiados por essa política do meu governo”, disse.

A presidenta ressaltou ainda que também em março encaminhou ao Congresso outra medida, com a proposta para correção da tabela do Imposto de Renda que preserva o salário. “Com ela o trabalhador terá seu salário preservado e não irá pagar um imposto maior. Tudo isso vem garantindo um Brasil mais justo”, garantiu.

O fórum criado para debater políticas de emprego, trabalho, renda e previdência social reunirá as centrais sindicais, representantes dos aposentados e pensionistas, dos empresários e o governo. A pauta será a discussão da sustentabilidade do sistema previdenciário, abordando temas como regras de acesso, idade mínima, tempo de contribuição e fator previdenciário. Dilma também propôs debater medidas de redução da rotatividade, formalização e aumento da produtividade do trabalho. “Caberá a nós todos encontrarmos a melhor estratégia e definir os mais eficientes instrumentos para que possamos atingir os nossos objetivos de fazer o Brasil crescer, aumentando emprego e renda de todos os trabalhadores”, disse.

A Força Sindical e a Central Única dos Trabalhadores (CUT) promoveram eventos em São Paulo em comemoração ao Dia do Trabalho. Principal tema em debate nos dois atos, o projeto de lei que regulamenta a terceirização colocou as centrais em lados opostos.

Cunha quer reajuste pela poupança

Em evento promovido pela Força Sindical em São Paulo, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), anunciou que apresentará, na próxima semana, um projeto de lei para reajustar o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) a partir do índice da caderneta de poupança. Caso aprovada, a proposta valerá a partir de janeiro. “Somente os novos depósitos sofrerão reajuste. É um projeto que vamos tramitar e votar em regime de urgência”.

Depois de criticar Dilma por ter optado em se manifestar somente pelas redes sociais, o presidente do Senado, Renan Calheiros, disse, em pronunciamento na ‘TV Senado’, que o Congresso não será um “mero espectador” do ajuste fiscal proposto pelo governo. “Proponho o pacto pela defesa do emprego”, declarou.


Dilma critica violência em protestos

Em um dos vídeos, em claro recado à forte repressão policial a manifestações de professores no Paraná esta semana, comandada pelo governo do PSDB de Beto Richa, Dilma afirmou que os protestos não podem ser enfrentados com violência. Ela destacou que “vivemos em uma democracia” e, por isso, é preciso “nos acostumar às vozes das ruas”.

A presidenta também defendeu o diálogo entre o governo e a sociedade como instrumento para a busca de consenso entre os diferentes setores da sociedade. “Temos que nos acostumar a fazer isso sem violência e sem repressão. Para isso, nada melhor do que o diálogo franco e transparente entre governo e sociedade”.

Em ato em São Paulo, o presidente do PSDB, senador Aécio Neves, criticou o fato de Dilma não ter feito, pela primeira vez, pronunciamento do Dia do Trabalho em cadeia nacional de rádio e TV. Para ele, a data será lembrada como o “dia da vergonha”. “O dia em que a presidente se acovardou e não teve a coragem de olhar nos olhos dos trabalhadores e dizer que vão pagar o preço mais duro desses ajustes.”

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