Por paulo.gomes

Brasília - Em acordo de delação premiada assinado na quarta-feira com a Procuradoria Geral da República, o empresário Ricardo Pessoa, dono da UTC e da Constran, se comprometeu a devolver R$ 55 milhões, além de revelar o que sabe sobre pagamentos de propina na Petrobras e outras estatais. É o segundo valor mais alto que será devolvido entre os delatores da Operação Lava Jato: o maior foi do ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco, que totalizou de US$ 97 milhões (cerca de R$ 300 milhões).

O empresário Ricardo Pessoa se reuniu nesta quarta-feira por mais de quatro horas com procuradoresAE

Pessoa passou nesta quarta cerca de quatro horas na sede da PGR, em Brasília, com os procuradores da República que trabalham nos inquéritos sobre políticos relativos à Operação Lava Jato. Nas negociações para o acordo, Pessoa disse que deu R$ 7,5 milhões à campanha à reeleição da presidenta Dilma Rousseff (PT) no ano passado, negociados com o tesoureiro Edinho Silva. A doação, segundo Pessoa, visava evitar retaliações em contratos com a Petrobras.

Atualmente ministro da Secretaria de Comunicação Social, Edinho confirmou ontem doação de R$ 7,5 milhões da empreiteira UTC, mas ressalvou que ela foi legal.“O que eu fiz foi arrecadar dentro da legalidade enquanto tesoureiro de campanha. As doações foram legais, declaradas ao TSE”, garantiu Edinho.

Pessoa também citou o senador Edison Lobão (PMDB-MA) como beneficiário de propina na época em que era o titular do Ministério das Minas e Energia, no primeiro governo de Dilma Rousseff (2011-2014). O empresário contou que Lobão recebeu R$ 1 milhão para não criar empecilhos na obra da usina nuclear de Angra 3.

A UTC conquistou um dos contratos da usina nuclear, obra estimada em R$ 2,9 bilhões, em consórcio formado com a Odebrecht, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez. Todas essas empreiteiras são investigadas pela Lava Jato sob suspeita de terem pago propina para conquistar contratos da Petrobras.

Pessoa ficou preso de 14 de novembro a 28 de abril, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que ele deveria sair da custódia da Polícia Federal em Curitiba e cumprir prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica.

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