Por paulo.gomes

Rio - Único político do Brasil eleito em votação popular para governar dois estados diferentes — o Rio Grande do Sul, na década de 60, e o Rio de Janeiro, nos anos 80 e 90 —, o engenheiro Leonel de Moura Brizola deverá entrar para o Livro dos Heróis da Pátria. O projeto foi aprovado na Comissão de Educação, Cultura e Esporte e só falta ser ratificado no plenário do Senado para inscrever o nome do político ao lado de heróis como Tiradentes, Zumbi dos Palmares e Santos Dumont.

Morto em 21 de junho de 2004, aos 82 anos, Brizola elegeu a Educação como principal bandeira de sua agitada trajetória política. No governo do Rio Grande do Sul, ele construiu mais de seis mil escolas para acabar o analfabetismo. No Rio de Janeiro, foram mais de 600 Cieps, que o povo batizou de ‘brizolões’, um dos motivos para que seus sucessores boicotassem o projeto.

Projeto é do ex-deputado Vieira da Cunha (PDT-RS) que%2C em abril de 2013%2C propôs a inclusão do nome de Brizola no Livro dos Heróis da PátriaCarlo Wrede / Agência O Dia

A defesa das instituições democráticas e a luta pela redução da desigualdade social também marcaram a vida do gaúcho. Ele pegou em armas para defender o presidente João Goulart, seu cunhado, e teve de deixar o país para não ser morto pelos militares, em 1964. Só voltou em 1979, mas nos braços do povo.

De autoria do ex-deputado Vieira da Cunha, o projeto também altera a legislação para diminuir a exigência de 50 anos da morte do homenageado para a inclusão do nome de Brizola no Livro dos Heróis da Pátria.Cunha sugere o tempo máximo de dez anos, propondo a mudança da Lei 11.597/2007. O livro fica exposto no Panteão da Pátria, na Praça dos Três Poderes, em Brasília, e serve de homenagem aos brasileiros que se destacaram em defesa do país.

Aos 23 anos de idade, Brizola foi um dos fundadores do PTB no Rio Grande do Sul. Em 1946, foi eleito deputado estadual. Em 1958, se elegeu governador do Rio Grande do Sul.

Após o golpe militar de 1964, Brizola perdeu os direitos políticos e se exilou no Uruguai. Em 1979, retornou ao Brasil e fundou o PDT. Foi eleito governador do Rio em 1982 e em 1990 e candidato derrotado à Presidência da República duas vezes: em 1989 e em 1994.

‘Neymar da política’

Herdeiro do nome e dos ideais do avô, o vereador Leonel Brizola Neto (PDT) comemora a homenagem ao ex-governador. Mas lamenta o uso indiscriminado por políticos do nome de Leonel Brizola, sem que sejam encampadas as ideias e projetos empreendidos pelo gaúcho à frente dos governos do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

“Usurparam o nome de Leonel Brizola. Brizola virou o ‘Neymar’ da política! Há uma ‘neymarização’ do nome de Brizola. É como uma marca, é como um macacão de Fórmula 1, cheio de propaganda. Mas ninguém segue suas propostas políticas”, reclama Brizola Neto.

Ele lembra que os Cieps estão abandonados. “Hoje, no Rio de Janeiro, algumas bibliotecas de Cieps viraram restaurantes populares ou regiões administrativas. Há Cieps que foram divididos com UPAs (Unidades de Pronto Atendimento)”, diz o vereador. Para ele, o ensino em tempo integral no Rio, preconizado por Brizola, é hoje uma ‘mentira’.

Apresentado em abril de 2013, na Câmara, o projeto que inclui o nome de Brizola no Livro dos Heróis da Pátria foi aprovado no plenário da Casa em junho de 2014, quando foi enviado para o Senado. “É uma homenagem mais do que merecida”, diz a senadora Ana Amélia (PP-RS), relatora do projeto.

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