Por bferreira

Brasília - Um dia após anúncio de cortes de R$ 69,9 bilhões no orçamento federal, a cúpula dos tucanos do PSDB resolveu abrir o bico com saraivada de críticas ao governo da presidenta Dilma Rousseff (PT). O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, durante palestra em Brasília, afirmou que “o governo vai pagar pelos pecados” e que falta liderança ao país. Já o presidente nacional da legenda, senador Aécio Neves, disse que “a população vai pagar pelos erros da presidenta Dilma”. As afirmações de Aécio foram feitas em programa de TV da legenda que será exibido hoje.

FHC cobrou do governo explicações à população das medidas que pretende tomar após promover o contingenciamento de recursos. “Quando você faz uma contenção fiscal, você tem que explicar ao país o que vem depois. Qual é a esperança, qual é o horizonte?”, disse.

O ex-presidente alfinetou Dilma, ao afirmar que, no regime presidencialista, se o presidente não lidera, essa função é feita pelo Congresso. “Ninguém faz nada sem liderança. [...]Quando o presidente não lidera no sistema presidencialista, o Congresso lidera”, afirmou.

[/...]Em vídeo gravado de 30 segundos, Aécio faz mais críticas à petista. “Nos últimos 12 anos, você trabalhou, pagou seus impostos, correu atrás. Você acreditou e fez a sua parte, mas o governo não fez a parte dele, e agora, sem avisar, aumenta a conta de luz, a gasolina, os impostos, os juros e corta os seus direitos”, afirmou o senador.

A assessoria do Palácio do Planalto informou que a Presidência não iria se manifestar sobre as críticas.

‘Como ficar ao lado de quem chantageia o governo?’

Depois de integrantes do PT proporem o rompimento com o PMDB e o lançamento de candidatura própria à prefeitura do Rio, ontem o 5º Congresso Estadual do partido correu em clima menos hostil. Mas não faltaram críticas à aliança. O encontro reuniu cerca de 400 pessoas no Sindicato dos Metalúrgicos, em Benfica.

Foram discutidas questões como o reajuste fiscal e a corrupção interna no partido, mas as as eleições de 2016 na cidade ficaram para depois.

Presidente regional do PT no Rio, Washington Quaquá minimizou a criação de uma frente de esquerda, proposta por integrantes da corrente Mensagem ao Partido, que defendem o rompimento com peemedebistas. “A prioridade não é discutir eleição, mas a reconstrução do partido. A frente de esquerda é uma discussão meramente eleitoral. O foco é viabilizar o retorno do ex-presidente Lula em 2018, e para isso a aliança é fundamental”, disse.

Um dos principais críticos à aliança entre o PT e o PMDB, o senador Lindberg Farias não poupou críticas ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e ao líder do PMDB, Leonardo Picciani. “Como podemos ficar ao lado de quem chantageia e comanda a pressão sobre o governo Dilma?”, afirmou o senador, em referência aos peemedebistas.

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