Por tabata.uchoa
Cunha%3A depois da reforma política%2C deputado quer votar maioridadeEBC

Rio - Após conseguir emplacar na Câmara o financiamento privado de campanhas eleitorais, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), anunciou qual será a próxima pedra que ele pretende colocar no sapato da presidenta Dilma Rousseff. O parlamentar afirmou, ontem pelo Twitter, que pautará até o fim deste mês o projeto que reduz a maioridade penal no país.

“O PT não quer a redução da maioridade e acha que todos têm de concordar com ele”, justificou o deputado. Em tom de desafio, Cunha informou que a comissão especial que discute o assunto na Câmara deve concluir seu trabalho até o dia 15 de junho e que a matéria será imediatamente levada a plenário.

“Além dessa polêmica, teremos ainda muitas outras,já que não vamos deixar de levar a votação matéria porque um grupo do PT não quer”, disparou. O desejo é fazer referendo sobre o tema, junto com as eleições de 2016. “Tenho absoluta convicção que a maioria da população e favorável”, disse. Casos recentes de violência, como o do médico Jaime Gold, morto a facadas na Lagoa Rodrigo de Freitas, colocaram o assunto novamente em evidência no Brasil.

Na semana passada, Cunha irritou os deputados do PT ao conseguir aprovar uma emenda à Proposta de Emenda Constitucional da Reforma Política, que permite a doação de empresas a partidos políticos nas campanhas eleitorais. O item foi votado na quarta-feira, um dia depois que a própria Câmara havia rejeitado outra emenda que proibia doações a candidatos. O financiamento público é uma das maiores bandeiras do partido de Dilma Rousseff na reforma política.

Cortina de fumaça

Para o deputado Alessandro Molon (PT-RJ), Cunha falou da maioridade penal para tentar desviar a repercussão da votação da reforma política. O PT entende que o presidente manobrou ao colocar um assunto em votação duas vezes na Câmara. “Não adianta o presidente tentar mudar de assunto desviando o foco da sua manobra que violou a Constituição e garantiu o financiamento empresarial de campanha”, afirmou.

No sábado, ele protocolou um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal pedindo a suspensão da votação que aprovou o financiamento privado. A ação foi assinada por 61 deputados. No Twitter, Cunha acusou o grupo de não se conformar por ter sofrido uma “derrota vergonhosa”. Na mesma rede social, Molon rebateu: “Quem não aceita resultado é quem refaz a votação até ganhar”.

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